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Em tempos de coronavírus, dependência da China corta 7% de valor justo de ações nos EUA

16/03/2020 - 15:23
Mercados Wall Street NYSE
Amplificador: quanto mais dependente da China, mais desconfiança as empresas provocam (Imagem: REUTERS/Lucas Jackson)

Seja como mercado consumidor, seja como fornecedora de matérias-primas e insumos, a China é uma importante parceira para inúmeras empresas dos Estados Unidos.

O problema é que, em tempos de coronavírus, essa dependência está destruindo valor num ritmo mais intenso que o de companhias com menor exposição àquele país.

A conclusão é de um estudo de dois pesquisadores da Universidade de Zurique, Stefano Ramelli e Alexander Wagner. O paper foi publicado no portal Vox, mantido pelo CEPR (Centre for Economic Policy Research), uma rede de 700 pesquisadores europeus.

A dupla procurou identificar como o mercado de ações tem reagido à pandemia de coronavírus.

Para sistematizar o estudo, Ramelli e Wagner dividiram a pandemia em três fases: incubação (de 31 de dezembro de 2019 a 20 de janeiro de 2020); eclosão (entre 20 de janeiro e 23 de fevereiro); e febre (a partir de 24 de fevereiro).

A primeira constatação da dupla é que as empresas americanas foram negligentes em relação ao potencial dano do coronavírus.

No fim do período de eclosão, apenas 30% das teleconferências de resultados trimestrais haviam mencionado a epidemia de alguma forma. A porcentagem subiu para 50%, com o início do período de “febre”.

Antecipação

A segunda observação dos pesquisadores é que os grandes investidores podem ter percebido o potencial da pandemia, antes dos demais. Isto porque, um terço da oscilação das ações de companhias americanas ocorreu na fase de incubação.

Na fase de febre, houve, inclusive, um breve período de reversão, com a valorização dos papéis.

Retorno das ações, conforme a dependência do mercado chinês

Gráfico da reação de ações americanas ao coronavírus

Outup = exportadores para a China; input = importadores de insumos e produtos da China

A intensidade da dependência do mercado chinês teve um papel na precificação dos ativos. De acordo com a dupla, companhias americanas que exportam para a China viram seu preço justo cair 7,1% entre 02 de janeiro e 06 de março.

Tão importante, quanto a magnitude da queda, é a relação entre o número de menções ligado uma empresa à China, e o tamanho da queda. “Mais menções de exposição às exportações ou fornecedores da China resultaram em retornos cumulativos anormais substancialmente menores durante o período”, afirma a dupla.

Para cada um ponto de desvio do padrão, um exportador perde 1,91% de valor justo, enquanto uma empresa que depende de fornecedores chineses perde 1,80%.

Repercussão

O fenômeno se repete, segundo os pesquisadores, para empresas americanas que dependam muito do mercado externo – não necessariamente, a China.

Além disso, os pesquisadores notam que o mercado começa a se preocupar com outro aspecto das empresas – sua capacidade de manter as operações, diante da desaceleração da economia. Por isso, as companhias mais endividadas estão apanhando mais nas bolsas americanas.

Para Ramelli e Wagner, isso mostra “um pessimismo geral dos mercados financeiros sobre o impacto disruptivo do Covid-19 no comércio global”.

Para eles, um mérito dos investidores é a rápida reação ao perigo do coronavírus, após negligenciar o risco por algum tempo.

A rápida deterioração dos preços dos ativos mostra que o mercado teme, cada vez mais, que a pandemia se transforme num problema financeiro grave para as empresas.

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Última atualização por Márcio Juliboni - 16/03/2020 - 15:23