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Empresas defendem projetos viáveis e participação do governo no mercado de carbono

21/11/2019 - 10:45
Meio Ambiente Queimadas
Projetos bem posicionados de sequestro de carbono podem ser inseridos na compensação por queimadas ilegais, segundo o Cebds (Imagem REUTERS/Ueslei Marcelino)

O governo do Brasil pode até não participar muito confortavelmente da Conferência do Clima em Madri no próximo mês, depois que novos dados de desmatamento foram realçados recentemente, mas as empresas brasileiras lá representadas mostrarão que estão no caminho certo de apresentar ao mundo a qualificação de seus ativos em projetos que merecem ser precificados.

As ideias que o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) levará para a discussão na COP25, de 2 a 13 de dezembro, é insistir para a implementação plena do artigo 6º, que trata efetivamente do financiamento a empresas com projetos que mitiguem emissões ou sequestrem o CO2.

Negociada no Acordo de Paris e ainda em aberto depois da COP24 (Polônia), segundo a presidente-executiva do Cebds, Marina Grossi, os dispositivos do artigo ajudariam dar uma resposta efetiva na diminuição do aquecimento do planeta, que muitos duvidam que será conseguida.

É preciso fazer circular para valer o fluxo de recursos para projetos como, entre os exemplos, no mercado de crédito de carbono. Com preço e muita demanda de países e empresas sem capacidade de diminuírem suas emissões, Marina acredita que a situação seria outra.

E o Brasil, com destaque para projetos que possam atacar o desmatamento de florestas ou a valoração do agronegócio – “onde somos competitivos e emitimos menos” -, pode ser muito beneficiado.

Aí entra um outro ponto, destaca a CEO do Cebds, entidade que agrega players nacionais de praticamente todos os setores. Marina Grossi pensa que “não adianta criar uma jabuticaba”, segundo a qual, por analogia, não vai ser qualquer projeto que poderá atrair recursos.

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“Precisamos transformar nossos ativos em projetos atraentes”, avalia.

Atualmente, de acordo com dados do Banco Mundial, a faixa de preço do carbono varia muito numa larga faixa, que vai de US$ 1 a US$ 127 por tonelada de CO2, portanto o grau de competência de cada programa e os respectivos setores/cadeia produtivas é que podem definir a melhor cotação.

US$ 44 bi arrecadados

E dos programas mundiais de retirada do carbono da atmosfera, a precificação cobre 20% das emissões globais, somando um movimento de US$ 44 bilhões. E isso com apenas 57 iniciativas, ou em vias de, de precificação de carbono, com destaques para México, Chile, Estados Unidos (Califórnia) e Europa.

Daí a importância, de acordo com Marina, de avançar nos mecanismos. E inclusive, no nível interno brasileiro, insistir para que o governo caia de cabeça, se engaje. No final de 2018, o Cebds entregou ao Ministério da Fazenda Carta Aberta sobre a Precificação de Carbono, assinada por mais de 25 CEOs e CFOs de grandes companhias e instituição, na qual a presidente da agremiação destaca:

– que a implementação deve ser gradual e limitar preço máximo a US$ 10/tCO2, na primeira fase, e a compensação com o uso de créditos oriundos do setor florestal;

– garantir a boa governança por meio de estrutura regulatória estabelecida por lei.

As empresas também mandataram o Cebds para que formule proposta de valor para vários setores, a exemplo do que o setor sucroenegértico fez com o RenovaBio, que vai premiar a menor emissão nas operações de produção de etanol através da comercialização dos Créditos de Descarbonização (Cbios).

 

 

Última atualização por Giovanni Lorenzon - 21/11/2019 - 15:53