Empresas

Ânima (ANIM3), Ser (SEER3) e Cogna (COGN3): Enamed adiciona ruído regulatório ao setor de educação da B3

20 jan 2026, 14:00 - atualizado em 20 jan 2026, 14:00
Saúde, Medicina, Cardiologia1
(Imagem: Unsplash/@shaikhulud)

A divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) introduziu uma nova camada de incerteza regulatória para o setor de educação no Brasil e acendeu um alerta entre investidores de companhias listadas com exposição relevante a cursos de Medicina.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O exame, aplicado a estudantes do último ano e coordenado pelo Inep, passa a servir como instrumento de supervisão, abrindo espaço para sanções que vão desde o congelamento da expansão até a redução de vagas e a suspensão do acesso a programas federais.

Após a divulgação, os papéis da Ser Educacional (SEER3) e da Ânima (ANIM3) fecharam entre as maiores quedas da B3, com baixas de 6,77% e 6,48%, respectivamente. A Cogna (COGN3) recuou 1,91%, enquanto a Yduqs (YDUQ3) caiu 1,90%.

Dos cerca de 350 cursos avaliados, aproximadamente um terço apresentou desempenho insatisfatório, com proficiência abaixo de 60%.

Na prática, cursos enquadrados nos conceitos 1 e 2 entram em um regime de restrições progressivas: proficiência inferior a 30% pode levar à suspensão total de novas vagas; entre 30% e 40%, à redução de 50%; e, entre 40% e 50%, a um corte de 25%. Cursos entre 50% e 60% não sofrem redução imediata, mas ficam impedidos de expandir.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Como resposta, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) informou que está acompanhando a divulgação dos resultados do Enamed. “Análises de instituições de todo o país indicam divergência de dados entre os que foram reportados como insumos, em dezembro passado, em relação ao número de estudantes proficientes de seus cursos, e os divulgados agora”, afirmou a entidade, acrescentando que aguarda esclarecimentos técnicos do MEC e do Inep.

Exposição das empresas ao setor

O J.P. Morgan chamou atenção para a exposição do mix de receitas ao segmento de Medicina, fator que pode amplificar ou suavizar os efeitos do Enamed entre as companhias listadas.

Segundo estimativas do banco, a Afya, listada em Nova York, concentra cerca de 76% da receita em cursos de Medicina, seguida por Ânima (37%), Yduqs (23%) e Ser Educacional (22%). A Cogna tem exposição mais limitada, em torno de 12%.

Já quanto ao impacto nas vagas, estimativas do J.P. Morgan, do Citi e do BTG Pactual indicam que a Yduqs pode ter até 15% das vagas impactadas, enquanto a Ser Educacional teria algo em torno de 13%. Afya, Ânima e Cogna também aparecem na lista, mas com impactos percentualmente menores.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na avaliação do Citi, os resultados têm viés negativo não apenas pelo impacto potencial sobre lucros e crescimento, mas também pelos efeitos reputacionais. “Apesar de incertos e provavelmente transitórios, vemos os resultados de forma negativa por poderem limitar o crescimento no curto prazo, pesar sobre as marcas das instituições e aumentar a assimetria regulatória”, afirma o banco.

Ainda assim, a equipe liderada por Pedro Chaves, head de educação do Citi, pondera que a menor oferta pode beneficiar cursos não afetados. “A redução da oferta pode melhorar o ambiente competitivo para os programas que ficaram de fora das restrições”, diz.

Maior impacto regulatório do que no balanço

A equipe do Itaú BBA, liderada por Vinicius Figueiredo, tem a mesma visão, ressaltando que uma eventual redução da oferta total de vagas pode criar um ambiente de precificação mais favorável para o ciclo de ingresso de 2027.

Para o banco, o fato de que o efeito econômico direto tende a ser limitado: mesmo assumindo cortes de vagas em 2027, o impacto estimado no Ebitda consolidado das companhias fica, em geral, entre 0% e 1%

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O BTG Pactual vai na mesma linha. Para eles, o Enamed adiciona mais ruído regulatório do que risco estrutural ao negócio de educação médica. “O exame introduz barulho regulatório em um segmento que segue atrativo e com forte geração de caixa livre”, afirma a equipe liderada por Samuel Alves.

Segundo o BTG, por se tratar da primeira edição do exame, é esperado que as companhias busquem medidas administrativas e legais, defendendo um período de transição antes da aplicação de qualquer sanção econômica.

Em comum, as casas concordam que a volatilidade das ações deve persistir no curto prazo, refletindo a incerteza regulatória e o risco jurídico. No médio prazo, porém, a avaliação é de impacto assimétrico: grupos mais expostos podem enfrentar limitações pontuais de crescimento, enquanto instituições não afetadas tendem a se beneficiar de menor concorrência e oferta mais restrita.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja.
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar