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Enchentes no Rio Grande do Sul: Porto Seguro (PSSA3) pode ter impacto no lucro de 2T24, mas sai na vantagem; entenda

28 maio 2024, 11:50 - atualizado em 28 maio 2024, 11:50
Porto seguro rio grande do sul
Porto Seguro: Cerca de 5% dos seus prêmios são das áreas afetadas pelas chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul. (Imagem: LinkedIn / Porto)

Desde o final de abril, o Rio Grande do Sul vem sofrendo com fortes chuvas e enchentes que já devastaram mais de 400 cidades. A tragédia já vem gerando impactos econômicos, puxado pelo agronegócio, mas é quando a água recuar que será possível calcular todos os prejuízos.

Segundo relatório da Genial Investimentos, publicado na segunda-feira (27), a expectativa é de que a maior parte dos sinistros venha do seguro de automóveis e do seguro penhor agrícola (maquinário agrícola). Com isso, a Porto Seguro (PSSA3) entra no radar, por ser a maior seguradora de automóveis do país.

Pelos dados da empresa, cerca de 5% dos seus prêmios são das áreas afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul, sendo que o percentual da frota exposta fica entre 0,5% e 1% da frota total de 6 milhões de veículos segurados pela Porto.

Por outro lado, a Porto Seguro não é a principal na região: a HDI possui 12% de exposição, o Bradesco 8%, a Tokio Marine 7%, e a média do mercado é de 7%.

De acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), nos primeiros três meses do ano, a Porto Seguro detinha uma participação de mercado de 18% no Rio Grande do Sul, abaixo de concorrentes como HDI/Liberty, que alcançaram 31%.

“Estimamos um impacto líquido de imposto de R$ 93,6 milhões, o que representa 14,9% do lucro projetado para o 2T24 [segundo trimestre de 2024] e 3,8% do lucro anual de 2024″, diz o texto, assinado pelo head de Research and Financials, Eduardo Nishio, e os analistas Wagner Biondo, Felipe Oller e Luis Degaspari.

A Genial destaca que, apesar do tamanho da tragédia, o impacto nos resultados da Porto Seguro para o ano serão marginais. Com isso, os analistas reiteram a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 35,00.

Tragédia no Rio Grande do Sul impacta setor de seguros

Segundo Dyogo Oliveira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), as enchentes devem resultar no maior volume de indenizações pagas pelo setor de seguros no país.

Até a semana passada, o valor de indenizações solicitadas de seguros alcançou R$ 1,673 bilhão, sendo que R$ 557,4 milhões são do segmento de automóveis e R$ 507 milhões de grandes riscos.

Já os seguros residencial e habitacional somam R$ 239,2 milhões, seguido por seguro agro (R$ 47,3 milhões) e outros ramos (R$ 332,13 milhões).

Frota de veículos da Porto Seguro e lucro no 2T24

“Considerando um market share de 18% no estado, estimamos um impacto de R$ 100 milhões em sinistros para a Porto Seguro. No entanto, este número pode aumentar nos próximos dias”, aponta o relatório da Genial.

Assumindo que a Porto possui 0,75% da frota segurada em áreas afetadas pelas chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul, a empresa conta com uma frota 45 mil veículos. Pelas contas dos analista da Genial, é estimado um impacto de perda total e parcial de 8,9% dessa frota, chegando a 4 mil automóveis.

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“Considerando um preço médio de R$ 60 mil por veículo afetado e uma recuperação de sinistro de 35%, o valor dos sinistros estaria próximo de R$ 156 milhões – nosso cenário base. Se o montante de automóveis com perda total ou parcial aumentar para 5 mil veículos e a recuperação for de apenas 25%, o impacto seria de R$ 225 milhões”, diz.

Com uma alíquota de imposto de 40% para a Porto Seguro, a estimativa é de que o impacto no lucro líquido deva ficar entre R$ 93,6 milhões a R$ 135 milhões, resultando em uma queda de 15% a 22% em relação à estimativa da Genial feita no começo do ano para o lucro do 2T24, de R$ 627 milhões.

Quando avaliado o primeiro semestre como um todo, a redução do lucro em relação às estimativas de R$ 1,23 bilhão seria de apenas 7,6% no cenário base e 3,8% sobre o lucro de 2024. Isso porque a companhia reportou R$ 651 milhões de lucro líquido no primeiro trimestre, superando as projeções do mercado de R$ 563 milhões.

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Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como editora-chefe no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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