Eneva (ENEV3): Ações despencam quase 20% na bolsa após preço de leilão frustrar mercado
Negociadas dentro do Ibovespa, as ações da Eneva (ENEV3) operam em forte queda na bolsa de valores nesta terça-feira (10) e figuram entre as maiores baixas do pregão.
Por volta das 13h15 (horário de Brasília), os papéis recuavam cerca de 12,49%, a R$ 19,20. Mais cedo, chegaram a desabar mais de 19%, tocando a mínima do dia em R$ 17,70. Acompanhe o tempo real.
O movimento ocorre após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentar, na manhã desta terça-feira (10), os preços-teto para os Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, previstos para ocorrem em março.
Segundo analistas do UBS BB, os valores apresentados em reunião da diretoria do regulador equivalem a R$ 182 por megawatt-hora (MWh) para novos empreendimentos termelétricos e a R$ 128/MWh para usinas existentes.
Os números ficaram bem abaixo da estimativa do banco norte-americano, de R$ 275/MWh, e também do consenso de mercado, que varia entre R$ 220/MWh a R$ 300/MWh.
Em relatório, o UBS BB afirmou que, com esses preços-teto confirmados, o impacto é “muito negativo” para a companhia, que é uma das empresas mais interessadas no certame, com foco na recontratação de parte de seus projetos termelétricos.
As ações da Eneva já haviam reagido negativamente na semana passada a uma mudança de regras no leilão promovida pelo governo, que reduziu custos para usinas ligadas à malha de transporte de gás, ampliando a competição ao beneficiar empresas como a Petrobras (PETR4).
UBS BB eleva recomendação para compra
Na semana passada, o UBS BB atualizou sua visão sobre a Eneva e elevou a recomendação para as ações de neutra para compra, aumentando também o preço-alvo de R$ 16 para R$ 27.
Na ocasião, a mudança refletiu uma leitura mais otimista sobre o papel das usinas térmicas no sistema elétrico brasileiro justamente diante do potencial do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, considerado um evento-chave.
Na avaliação do banco, o Brasil entrou em uma fase em que a energia despachável se tornou estruturalmente necessária, em meio ao aumento da volatilidade da carga, à expansão da geração solar — que provoca excesso de oferta ao meio-dia — e à necessidade de resposta rápida no início da noite.
Energia despachável é aquela que pode ser ligada, desligada ou ter a produção ajustada quando o sistema elétrico precisa.
Nesse contexto, o LRCAP surge como o principal mecanismo para precificar confiabilidade e flexibilidade, favorecendo companhias capazes de entregar potência dentro do prazo exigido.
*Com informações da Reuters