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Entrevista: Rali do “sentimento” acabou e agora é a hora do lucro, afirma Rio Bravo

Gustavo Kahil
05/05/2017 - 21:30

Jorge A. Saab

Apesar de o Brasil estar deixando para trás a recessão este ano, em um momento melhor do que o visto em 2016, a Bolsa não tende mais a subir de maneira generalizada. Agora, o investidor que buscar retornos precisará minerar as companhias bem posicionadas para capturar a mudança de momento da economia brasileira.

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Está é a visão do gestor de renda variável da Rio Bravo Investimentos, Jorge A. Saab, em entrevista ao Money Times. “Em 2016, o rali foi baseado em sentimento. Percebemos que o Brasil não iria mais quebrar. O que precisa acontecer agora é vir o lucro. Se será um rali, ou não, isso vai depender de onde você vai estar. Não terá mais alta com base em sentimento”, ressalta Saab.

Para onde olhar?

Ele revela que uma das principais apostas foi a Cetip, hoje B3. É um tipo de empresa que agrada a Rio Bravo, ou seja, que concentra vários indicadores de qualidade como resiliência, barreira de entrada e pulverização. Outra com este perfil é a Localiza. Esta, por exemplo, quando passa por um momento ruim do setor, se sai muito melhor do que os concorrentes.

Saad lembra também da CCR, que tem ativos de muita qualidade, se beneficia muito da queda de juros e muita demanda por suas rodovias. “Um ano ruim para a CCR é quando o tráfego cai 2% ou 3%. Não é nada gravíssimo”, diz. Outra no portfólio é a Weg. Apesar de estar exposta ao setor industrial brasileiro, continua com crescimento de receita, lucro e Ebitda. “Ela tem uma diversificação mundial e mais de 50% da sua receita vem de fora do Brasil”, ressalta.

Mesmo evitando o setor de serviços públicos, que tem a dupla desagradável de regulação forte e sócio estatal, a Rio Bravo aposta em ações da Vivo. “A regulação não é tão severa e a empresa é privada. Ela raramente embarca em estratégias de se diferenciar por preços. E, com isso, ela tem um dividend yield alto”, pontua.

2018: o que esperar?

O nível da Selic, provavelmente em torno de 8,5%, pode não ser a principal variável a dar o rumo para o mercado. Para Saad, apesar de o custo de capital estar menor e beneficiar os setores com uso intensivo de capital e endividamento, em 2018 as eleições ainda poderão travar as decisões de investimentos.

“Se a Selic vai, de fato, incentivar a economia, isso irá depender se o resultado da eleição vai agradar ao setor privado. Se você juntar a retomada cíclica, com juros mais baixos, continuidade das reformas e uma ‘boa eleição’, então, talvez em 2019 poderemos ter um ciclo mais forte”, diz.

Última atualização por - 05/11/2017 - 14:04

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