Entrevista: Rastreamento do campo à mesa traz valor agregado, diz CEO da MSD Saúde Animal

30/04/2021 - 12:37
Boi Carnes Agropecuária Agronegócio
A MSD Saúde Animal já dispõe de ferramentas para ajudar os clientes a identificar, monitorar e rastrear o gado da fazenda à mesa, o que pode aumentar o bem-estar animal e gerar mais valor agregado ao produto final, argumenta o CEO (Imagem: Reuters/Bing Guan)

O agronegócio se reinventa a todo o momento e cada vez mais a tecnologia faz parte do dia-a-dia dos produtores brasileiros. Em meio a uma demanda global por commodities agrícolas, a MSD Saúde Animal tem passado por uma verdadeira transformação tecnológica.

Além de fornecer medicamentos e produtos veterinários, a companhia está se tornado uma empresa de tecnologia para tutores de cães e gatos e para produtores de leite e carnes suínas, bovinas, aves e peixes.

Hoje, a MSD Saúde Animal, presente em mais de 75 países, dispõe de ferramentas para ajudar os clientes a identificar, monitorar e rastrear o gado da fazenda à mesa.

Um terço de todos os consumidores deixará de comprar seus produtos preferidos se perderem a confiança e um terço já parou de comprar suas marcas favoritas de longa data desde 2019, conforme um estudo divulgado pela IBM (IBMB34), em parceria com a National Ratail Federation.

Entre os 19 mil consumidores de 28 países, incluindo o Brasil, ouvidos na pesquisa, há quem esteja disposto a pagar mais e até mudar seus hábitos de consumo.

Hoje, 79% de todos os consumidores afirmam ser importante que as marcas forneçam autenticidade garantida, como certificações, ao comprar produtos. Dentro deste grupo, 71% estão dispostos a pagar um valor adicional — 37% a mais em média — para empresas que ofereçam total transparência ao produto.

E para falar sobre a guinada rumo à inovação, além do momento aquecido no mercado de commodities agrícolas, o Agro Times conversou com Delair Bolis, presidente da MSD Saúde Animal no Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

Confira os principais trechos da entrevista:

Money Times: Quais são as perspectivas da MSD Saúde Animal em meio ao aumento global por commodities agrícolas, inclusive proteína animal?

Delair Bolis: Dentre os principais setores da economia, o agronegócio foi menos impactado pela pandemia de Covid-19, e continuo vendo o cenário com muito otimismo. Nesse contexto, a MSD vai investir cada vez mais em segurança, pois o consumidor está cada vez mais cuidadoso. Países como o Brasil, que produz com cuidado, responsabilidade, e alimentos com sustentabilidade, tendem a se beneficiar mais com a alta do mercado agro.

O mercado de saúde animal tem uma previsibilidade de crescimento neste ano em torno de 9%. Naturalmente, a companhia pretende manter um patamar similar. Nos próximos quatro anos, esperamos expandir 40% e chegar a R$ 1,6 bilhões de faturamento no Brasil.

A alta das commodities como, por exemplo a soja e o milho, com sacas de 60 quilos girando a R$ 160 e R$ 100 cada, respectivamente, incrementa o custo de produção. Portanto, este é o momento da gestão, pois os preços devem continuar a subir até pelo menos agosto deste ano. São necessárias decisões em relação ao mercado interno.

Delair Bolis CEO da MSD Saúde Animal
Com a elevação das commodities agrícolas, sobretudo a soja e o milho, Bolis enfatiza que “este é o momento da gestão no mercado interno” (Imagem: Divulgação/MSD Saúde Animal)

Money Times: Como tem se dado o processo de transformação tecnológica, sobretudo em relação aos dispositivos envolvendo produtores?

Delair Bolis: Nos últimos anos temos focado em levar soluções e plataformas aos produtores. Investimos 20% do nosso faturamento anual em inovação e desenvolvimento de novos produtos, inclusive só no ano passado foram direcionados US$ 14 bilhões na soma das operações globais.

Também são investidos mais de US$ 4 bilhões na compra de empresas e startups. As aquisições englobam companhias de gestão, fazendo com que a MSD não seja apenas uma empresa de saúde animal, mas também uma companhia que integra ferramentas e plataformas de gestão aos produtores, como o serviço de identificação e rastreabilidade animal.

Em relação aos produtos direcionados aos animais de produção, lançamos o IDAL®, aplicador para administração de vacinas, de forma intradérmica sem agulha, reforçando o compromisso da empresa com o bem-estar animal. E descobrimos a sulfaquinoxalina, como o primeiro coccidiostato para uso em aves.

E também, somos responsáveis pelo primeiro comprimido mastigável para cães contra pulgas e carrapatos com eficácia de até 12 semanas, o Bravecto, falando um pouco sobre o segmento de animais de companhia.

Money Times: Em linhas gerais, do que se trata a MSD Intelligence?

Delair Bolis: Um exemplo prático, lembrando que o consumidor deseja comprar cada vez mais segurança: o cliente sentado em um restaurante, consome uma proteína animal ou vegetal e tem a informação just in time (em tempo real), conhecendo a origem e o caminho que a proteína percorreu até chegar ao prato. Isso é segurança.

Trata-se do resultado obtido com a MSD Saúde Animal Intelligence. A partir das aquisições da Antelliq, IdentiGEN, Poultry Sensem, Quantified AG e Vaki pela MSD, lançamos em janeiro a nova unidade operacional especializada na visão estratégica e de inteligência de dados para o mercado de saúde animal.

O objetivo dessa unidade é diferenciar a companhia dentro da indústria e possibilitar ao mercado tecnologias que permitem acessos a dados e percepções em tempo real para melhorar e aprimorar o gerenciamento e resultados dos animais.

Money Times: O que pode gerar mais valor agregado aos produtores do campo?

Delair Bolis: A interpretação dos dados de identificação e rastreabilidade que mencionei permite, por exemplo, a antecipação de medicação do animal, auxiliando na prevenção de doenças e redução do tempo de recuperação.

No Brasil, leva-se de 5 a 7 dias em média a recuperação de um animal (produtor de leite ou carne ) pós-tratado. Já em Israel, o tempo médio cai para 48 a 72 horas, utilizando o mesmo antibiótico. O que muda é o momento certo de usar o medicamento.

O importante é trocar a visão de rebanho para a individualizada, atendendo às necessidade específicas do animal, o que pode gerar economia de insumos (importante com a alta dos grãos usados na alimentação) e aumento da produtividade, somados ao maior bem-estar animal.

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Última atualização por Lucas Eurico Simões - 30/04/2021 - 14:48

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