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Era de Lagarde começa confiante, mas sem fogos de artifício de Draghi

13/12/2019 - 14:14
Lagarde
Essa postura ponderada exibida na quinta-feira é um forte contraste com Mario Draghi, que surpreendeu com um corte dos juros em sua primeira reunião em 2011 (Imagem: REUTERS/Francois Lenoir)

Se Christine Lagarde continuar como começou, ela poderá se mostrar muito menos beligerante do que seu antecessor como presidente do Banco Central Europeu.

Seis semanas após a posse, a francesa proporcionou uma performance confiante em sua conferência de imprensa de estreia, que focou na necessidade de reflexão, e não de ação. Lagarde apresentou sua iniciativa para uma revisão com prazo de um ano da política monetária do BCE, demonstrou esperança na estabilização da economia e não falou muito sobre o que faria caso isso não acontecesse.

Essa postura ponderada exibida na quinta-feira é um forte contraste com Mario Draghi, que surpreendeu com um corte dos juros em sua primeira reunião em 2011 e reduziu as taxas novamente várias vezes, juntamente com rodadas sucessivas de flexibilização quantitativa.

Quando terminou seu mandato em outubro, tendo acabado de planejar uma dose final e polêmica de estímulo, investidores ficaram antecipando mais estímulos até o fim do ano.

“É compreensível que talvez ela não esteja batendo no tambor por uma política específica ou outra”, disse George Buckley, economista da Nomura International. “Nesta fase da presidência, o mais importante é criar consenso. Ela é nova, esse é o estilo dela.”

Lagarde, a primeira mulher a comandar o BCE em duas décadas de existência do guardião do euro, se esforçou para enfatizar que sua presidência não será igual. “Serei eu mesma e, portanto, provavelmente diferente.”

Essa declaração de intenções acompanhou um conjunto incomum de observações proferidas após a leitura do comunicado do Conselho do BCE. Ela definiu seu plano para uma revisão da maneira como o BCE conduz a política monetária, um importante item previsto para quinta-feira que não foi mencionado no texto acordado pelo conselho.

Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi
Quando terminou seu mandato em outubro, tendo acabado de planejar uma dose final e polêmica de estímulo, investidores ficaram antecipando mais estímulos até o fim do ano (Imagem: Reuters/Francois Lenoir)

Alguns membros do governo queriam uma referência aos efeitos colaterais das taxas de juros negativas incluída na declaração de abertura, segundo autoridades a par do assunto. O debate foi relativamente breve antes que o conselho decidisse que tal medida seria interpretada com exagero por investidores, disseram as autoridades.

Embora seu tom mais otimista sobre a economia possa refletir a ausência de seu predecessor dovish, segue também uma recente mudança nas perspectivas. Na reunião final de Draghi, em 24 de outubro, o Conselho do BCE lamentava a “fraqueza prolongada” da economia da zona do euro. Na quinta-feira, Lagarde destacou riscos “um pouco menos pronunciados” para o crescimento.

Os indicadores econômicos melhoraram levemente e algumas medidas de atividade e confiança parecem ter se estabilizado. O Índice Surpresa do Citi para a região, mostrando como os dados excedem ou subestimam as previsões dos economistas, está no nível mais alto em mais de 1 ano e meio.

O cenário econômico descrito por Lagarde – juntamente com as preocupações expressas por seus colegas quanto ao impacto prejudicial das taxas de juros negativas – deixou os economistas se perguntando se o corte que eles previam para dezembro chegará algum dia.

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“A probabilidade está aumentando de que não será necessário”, disse Ricardo Garcia, economista-chefe para a zona o euro do UBS, em Zurique. Ele diz que agora é provável que a política do BCE não mude ao longo de 2020.

Aconteça o que acontecer, fica claro que o estilo de Lagarde será diferente, como mostrado em sua conferência de imprensa na quinta-feira.

“Ela foi muito bem”, disse Garcia, do UBS. “Não era necessário decifrar as frases dela. Acho que ela quer que seja assim. Isso é bem-vindo.”

Última atualização por Vitória Fernandes - 13/12/2019 - 14:14