Escândalo do Banco Master expõe bastidores do poder e abala credibilidade das instituições brasileiras, diz The Economist
O escândalo do Banco Master está no radar dos investidores e ganha novos desdobramentos a cada semana com o andamento das investigações. Nesta semana, o caso ganhou ainda mais visibilidade internacional com uma reportagem publicada pelo The Economist, que explora as implicações da liquidação do banco sobre o sistema financeiro do Brasil, além das conexões políticas de Daniel Vorcaro, dono do Master.
A matéria fez uma linha do tempo iniciando com os primeiros indícios que levaram às suspeitas sobre o banco, em setembro de 2025, quando Vorcaro tentou vender o Master para o Banco de Brasília (BRB). Na ocasião, o Banco Central constatou a venda de carteiras de crédito sem valor, do Master para o BRB, por mais de US$ 2 bilhões.
De acordo com o The Economist, as investigações sobre o Master expuseram muito mais do que as fraudes no crescimento exponencial do banco. As relações entre políticos e grandes nomes do sistema financeiro com Vorcaro também estão sob os holofotes. Para o jornal, essas ligações “prejudicaram a reputação do Supremo Tribunal Federal e do Congresso brasileiro”.
A reportagem afirma que a trama ganhou mais contornos políticos a partir da liquidação do Master, em novembro, com a aproximação do membro do Tribunal de Contas da União, Jhonatan de Jesus, e do ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, sobre o caso. O The Economist também menciona a defesa da aquisição do Master pelo BRB feita por Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal.
O texto ainda aponta um contrato de US$ 24 milhões entre o banco de Daniel Vorcaro e um escritório de advocacia comandado pela esposa de Alexandre de Moraes, afirmando que “a vagueza do contrato e os valores elevados envolvidos ‘não são normais’ para os padrões brasileiros”. Além disso, reuniões e telefonemas entre o ministro do STF e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central foram citadas, ressaltando que Moraes e sua esposa negaram irregularidades.
O cenário também não é favorável para o ministro do STF Dias Toffoli, segundo o The Economist. De acordo com a reportagem, o ministro viajou em um jato particular com um advogado do Master na mesma época em que foi sorteado para ser relator do caso.
A análise feita pelo The Economist afirma que essas conexões “reforçaram, entre o eleitorado brasileiro, a percepção de que a mais alta corte do país carece de imparcialidade”.
Para o jornal, o maior beneficiado dos escândalos das investigações sobre o banco Master é Gabriel Galípolo, que “resistiu às pressões para salvar o banco”. O texto destaca as movimentações do presidente do Banco Central pedindo mais autonomia administrativa e financeira para a instituição. “Isso daria à instituição poderes mais robustos de supervisão sobre o sistema financeiro e maior proteção contra as manobras políticas de Brasília”, finalizou o The Economist.