EscolaCripto: Polkadot e a internet 3.0

18/01/2021 - 15:37
Em artigo exclusivo para o Crypto Times, EscolaCripto fornece um panorama do que é a Polkadot e por que ela pode revolucionar a nova era da internet (Imagem: Crypto Times)

A internet, uma das maiores invenções da humanidade faz cada vez mais parte das nossas vidas, seja para trabalhar, nos comunicar, efetuar compras ou estudar. Hoje, grande parte das nossas atividades depende dela e seria muito difícil imaginar nosso dia a dia sem sua presença.

Sem dúvidas, é uma das principais ferramentas na evolução da humanidade, mas você sabia que nem sempre ela foi assim, interativa e rápida? Sabia também que as possibilidades ainda são enormes em relação ao que é possível construir na internet?

No início ela era bem diferente e o que vemos hoje é a versão evoluída da Web 1.0, que ganhou notoriedade na década de 1990 e só contava com páginas de empresas, sem a participação dos usuários.

Acreditava-se que seria acessível a todos, não teria um dono único e seria um local para troca livre de conhecimento. Porém, não é bem assim que ela funciona atualmente. Mesmo com todas as suas maravilhas, a internet ainda precisa e será aprimorada em muitos aspectos nos próximos anos. 

O bitcoin tem um papel fundamental nessa transformação.

Blockchain, a tecnologia por trás do seu funcionamento, proporcionará formas de melhorar a segurança de informações transmitidas pela rede e devolverá às pessoas a privacidade sobre os seus dados, além de promover inúmeras oportunidades de interação entre os usuários, de forma descentralizada

Diariamente, nossos dados são expostos ao interagirmos com aplicativos criados por grandes empresas, que são as únicos a extrair valor dessas informações e cujos interesses e incentivos frequentemente conflitam com os nossos.

Vamos analisar alguns aspectos dessa evolução da internet e o que virá a seguir para melhorar essas e muitas outras questões. 

Nos últimos anos, o número de usuários da internet aumentou de 2,95 bilhões de pessoas em 2014 para 4,17 bilhões atualmente. 

A maioria desses usuários está vulnerável à exposição e rastreabilidade de informações privadas, como a que tipo de produtos consomem, o que consultam na internet e também números de documentos pessoais.

Tais dados são monopolizados e armazenados em servidores de grandes empresas, que operam de forma centralizada e, em seguida, os utilizam como bem entenderem.

Web 1.0

A primeira versão da web foi a primeira etapa da internet (1990-2000), onde o papel do usuário se limitava a ler informações fornecidas pelos produtores de conteúdo.

Foi aqui que surgiram os primeiros navegadores e sites, que eram estáticos e sem conteúdo interativo. 

Nessa fase, a “World Wide Web” só contava com página de empresas e não havia opção para os usuários ou consumidores se comunicarem com os produtores dos conteúdos. 

Web 2.0

A Web 2.0, também conhecida como web social ou web de leitura e escrita, é a era entre 2000 e 2010 e que continua até agora.

Ela é construída em torno dos usuários, ou seja, facilita a interação e comunicação entre eles de forma dinâmica e veloz, graças a pacotes de dados e Wi-Fi. Por isso, nesta era, todos podem produzir, distribuir e compartilhar conteúdo pela web.

Algumas das famosas aplicações da Web 2.0 são Facebook, Amazon, Wikipédia, YouTube, Flickr, Twitter etc. Tecnologias como HTML5, CSS3 e frameworks Javascript, como ReactJs, permitem que startups inovem, possibilitando que usuários contribuam mais com essa versão da web.

Web 3.0

A terceira geração da internet é a fase atual, cujo desenvolvimento está começando a se fortalecer. 

Ela visa resolver as limitações das versões anteriores e muito mais do que isso: proporcionar formas de interação e utilização de informações, o que aumenta possibilidades, melhora a privacidade e gera inúmeras oportunidades. 

Funcionará de forma mais estruturada, facilitando o processo de extração de informação de diferentes fontes e de maneira verdadeiramente descentralizada e P2P, quando não há o controle de nenhuma grande empresa ou servidor central intermediando transações ou outros tipos de interação entre os usuários, descentralizando o armazenamento de dados.

A Web 3.0, também conhecida como Web Semântica, é a próxima etapa da web, onde haverá interoperabilidade, privacidade de dados, inteligência artificial e “machine learning”

Será possível gerar e distribuir, de forma inteligente, um conteúdo útil e adaptado à necessidade particular de um usuário.

O Bitcoin é um dos símbolos do surgimento efetivo da nova versão da internet, pois permitiu, pela primeira vez, o envio de valor pela internet sem a necessidade de nenhuma figura central que confere valida transações, sendo uma alternativa digital e escassa ao sistema monetário vigente.  

Além disso, o blockchain será uma peça fundamental na construção dessa nova geração da web, possibilitando uma nova relação entre usuário e internet.

Graças à natureza descentralizada e distribuída do blockchain, a Web 3.0 permite uma versão mais livre e, ao mesmo tempo, segura da internet, onde usuários podem ser donos de seus próprios dados e utilizá-los como bem entender. 

Com soluções como a identidade autossoberana, as pessoas terão acesso novamente a seus dados, que serão criptografados, podendo escolher com quem ou quando compartilhá-los.

O papel do blockchain na construção da Web 3.0

A nova relação usuário/internet será possibilitada pelo blockchain. Porém, como toda tecnologia nova, passa constantemente por melhorias e ainda irá evoluir muito.

A Ethereum é, com certeza, um grande ícone nesse segmento, pois permite a criação de aplicativos descentralizados que jamais imaginaríamos. Por trás dela, muitas mentes brilhantes estão trabalhando no seu desenvolvimento e muitos também já contribuíram para sua existência.

Entre eles, Gavin Wood, cientista e grande responsável pela criação da Solidity, a linguagem de programação utilizada para a criação de aplicativos descentralizados (dapps) na rede Ethereum. 

Ele é o principal criador da Polkadot, projeto que tem, como proposta, solucionar algumas limitações da rede Ethereum, como escalabilidade e interoperabilidade, e proporcionar um ambiente seguro e mais efetivo para o desenvolvimento de outros blockchains que farão parte da construção da Web 3.0.

O que é a Polkadot?

Trata-se de um projeto fundado pela WEB3 Foundation e que se propõe a ser uma peça-chave na construção da nova geração da Web 3.0, facilitando a interoperabilidade entre blockchains.

Ela conecta vários blockchains, públicos e privados, em uma rede unificada, e permite a comunicação entre eles, possibilitando, a seus usuários, a construção de seus próprios blockchains, além de aplicativos seguros e descentralizados.

Cada cadeia construída na rede Polkadot usa a Substrate, que é um framework de desenvolvimento de software, mantida pela Parity Technologies e usada principalmente por desenvolvedores Polkadot que desejam criar parachains rapidamente.

Problemas de escalabilidade de redes como a Ethereum são bem conhecidos e a Polkadot faz parte da categoria de projetos que se propõe a promover uma rede com melhor interoperabilidade, mais escalável e com segurança compartilhável, operando em um formato multichains, onde é possível conectar diferentes blockchains à sua Relay Chain (cadeia principal), permitindo transferências de dados entre elas.

O projeto tem três objetivos principais:

– facilitar a comunicação entre blockchains públicas e privadas;

– fornecer um ambiente altamente escalonável;

– promover atualizações de rede sem a necessidade de forks.

Tudo isso através de um modelo de governança apoiado pela comunidade.

Como a Polkadot funciona?

Foi projetada para operar dois tipos de blockchains: 

Relay Chain

É a rede principal, onde as transações são finalizadas e mantidas permanentemente.

Para atingir uma velocidade maior, a Relay Chain separa a adição de novas transações do ato de validá-las. Esse modelo permite que a Polkadot processe mais de mil transações por segundo, de acordo com testes efetuados em 2020.  

A rede utiliza uma variação do algoritmo de consenso Proof of Stake (PoS) chamada Nominated Proof of Stake (NPoS).

Parachains

São blockchains personalizados para vários tipos de usos e que funcionam em paralelo na rede, em que as transações contam com a mesma segurança do blockchain principal.

Por processarem suas próprias transações, a rede pode seja escalonada com base no processamento independente e simultâneo de transações por parachain. 

Há também as “bridges”, que funcionam como uma ponte que permite que a rede Polkadot se conecte e interaja com outras blockchains, como Bitcoin, Ethereum, EOS e Cosmos, onde tokens podem ser trocados sem uma exchange central.

Fundadores e equipe

Polkadot foi fundada em 2016 por Gavin Wood — diretor de tecnologia e cofundador do projeto Ethereum — e pelos cofundadores Peter Czaban e Robert Habermeier.

Além de ter projetado a linguagem de programação Solidity, Gavin Wood foi o primeiro CTO da Ethereum Foundation.

Ele possui dourado em Ciência da Computação pela University of York, foi cientista pesquisador da Microsoft e já fez apresentações para inúmeras audiências ao redor do mundo, desde palestras em conferências regionais de tecnologia até reflexões sobre o futuro dos sistemas jurídicos em Harvard. 

O projeto possui uma equipe global com os melhores engenheiros de sistemas, criptógrafos, arquitetos de soluções e pesquisadores. Muitos contribuíram com o molde da atual indústria blockchain e pretendem continuar participando do desenvolvimento da próxima geração de blockchains.

Token DOT

DOT é o token nativo da rede e desempenha um papel fundamental na manutenção e operação da rede Polkadot. 

Como outros modelos de consenso de PoS, o token nativo é usado como incentivo econômico, levando os validadores a agirem honestamente pelo fato de terem participação financeira na autenticidade do processo de verificação.

Atende três propósitos principais: 

governança: utilizado para votação e atualizações no protocolo;

staking: incentivo econômico para o fortalecimento da segurança da rede. Dependendo da situação, é possível que usuários ganhem 12% de juros anuais com o staking de DOT;

– união: vinculação na rede para a criação de parachains. 

O sistema permite que qualquer um aposte DOT, travando a criptomoeda em um contrato especial, e execute uma ou mais das seguintes funções necessárias à sua operação, sendo elegíveis para receber recompensas em DOT:

– validadores: validam dados em blocos parachain. Também participam do consenso e votam nas mudanças propostas para a rede;

– nomeadores: ajudam a fortalecer a segurança da Relay Chain, selecionando validadores confiáveis através de votos;

– coletores: reúnem as transações dos parachains e produzem uma prova, que é enviada ao validador apropriado e encarregado de finalizar um bloco. Também funcionam como uma camada adicional de segurança;

– pescadores: monitoram e relatam comportamentos maliciosos na rede sobre validadores ruins. São motivados, em busca de recompensas, ao provar que uma parte agiu maliciosamente, fora do conjunto de regras.

No formato da Polkadot, a execução de transações em paralelo é possível, permitindo o funcionamento conjunto de dezenas de blockchains, conectados por meio da relay chain.

Assim, a equipe da Polkadot afirma que as transações podem ser mantidas de forma segura e precisa usando apenas os recursos de computação necessários para executar a rede principal.

Também permite que os usuários realizem transações de forma mais privada e eficiente, processando um número maior de transações, com cerca de cem vezes mais escalabilidade do que as opções atuais.

Por que o DOT tem valor?

Escalabilidade

Isoladamente, os blockchains processam apenas uma quantidade limitada de tráfego. Polkadot é uma rede multichain fragmentada, ou seja, pode processar muitas transações em vários blockchains em paralelo, eliminando as congestões que ocorriam em redes que processavam as transações uma a uma.

Esse poder de processamento paralelo melhora significativamente a escalabilidade e cria melhores condições para o aumento da adoção e do crescimento futuro da indústria blockchain. 

Atualizações

Como todo software, os blockchains precisam de atualizações para continuarem relevantes e melhorarem com o tempo.

No entanto, a atualização de redes convencionais requer as chamadas “hard forks”, que criam dois históricos de transações separados, podendo dividir uma comunidade em duas e, frequentemente, levar meses para serem apresentadas.

O Polkadot permite atualizações sem forks, possibilitando que blockchains evoluam e se adaptem facilmente conforme a melhor tecnologia se torna disponível.

A rede pode processar mais de 160 mil transações por segundo.

Polkadot torna possível a construção de aplicativos que podem transferir dados e tokens entre blockchains públicos e privados, oferecendo interoperabilidade e comunicação entre cadeias.

Primeiro exemplo: a cadeia de registros autorizados de uma faculdade poderia enviar uma prova para um contrato inteligente de verificação de diplomas em uma rede pública.

Segundo exemplo: a cadeia de fornecimento de serviços financeiros pode se comunicar com outra que fornece acesso a dados do mundo real (oráculos), como feeds de preços do mercado de ações para a negociação de ações com token.

Governança

A Polkadot emprega um modelo de governança “on-chain”, totalmente controlado pelos validadores da relay chain, que apostam no token DOT e podem controlar tudo, desde atualizações de protocolo até correções de bugs.

Três tipos de usuários Polkadot podem influenciar no desenvolvimento do software:

– holders de DOT: qualquer pessoa que adquira tokens DOT podem utilizá-los para propor alterações à rede e aprovar ou rejeitar as principais alterações propostas.

– o Conselho: eleitos pelos titulares do DOT, os membros do conselho são responsáveis ​​por propor mudanças e determinar quais alterações propostas pelos titulares do DOT serão efetivamente implementadas. As propostas dos membros do Conselho exigem menos votos para serem aprovadas do que as dos titulares comuns do DOT;

– o Comitê Técnico: composto por equipes que estão ativamente desenvolvendo a Polkadot, este grupo pode fazer propostas especiais em casos de emergência. Os membros do comitê técnico são escolhidos pelos membros do conselho.

– Web3 Foundation

É uma organização sem fins lucrativos que criou a Polkadot, o principal protocolo desenvolvido pela fundação.

Ela foi criada para cultivar e incentivar tecnologias e aplicações descentralizadas, contribuindo com o desenvolvimento do ecossistema da Web 3.0.

A fundação recebeu 30% dos fundos das ofertas de tokens e supervisiona a alocação desses fundos para promover o desenvolvimento de Polkadot.

– Kusama

É uma rede com características iguais a da Polkadot, local onde são feitos testes e experimentos de aplicações que serão implementados na rede Polkadot quando estiverem prontos (não é uma testnet).

O cronograma de desenvolvimento de Polkadot: a publicação do white paper foi em novembro de 2016 e, após três anos de desenvolvimento, a versão inicial da Polkadot foi lançada em maio de 2020. 

Parceiros do projeto Polkadot 

Polkadot possui uma capitalização de mercado de US$ 15,12 bilhões e é classificado em 4º lugar no ranking total. 


No site Cryptomiso, é possível ver que ela está na 20ª posição entre os projetos com mais atividade de desenvolvedores, com 843 contribuições de 98 contribuidores.  

Dados de supply

Informações de capitalização de mercado

Polkadot é um dos grandes projetos com enorme potencial no mundo cripto. Com profissionais renomados e com histórico de grandes contribuições para a Web 3.0, tem tudo para crescer em usabilidade e adoção.

O futuro para a internet é muito promissor e estamos fazendo parte do início de uma internet mais livre, segura e com inúmeras possibilidades. 

Será muito interessante acompanhar o que tecnologias, como a da Polkadot, irão oferecer para o desenvolvimento das próximas gerações de blockchains.

Faça sua análise para compreender melhor os projetos e tomar a melhor decisão. Existem alguns com bom potencial e que, no longo prazo, poderão ser muito utilizados. É importante ficar atento e se posicionar nos que julgar melhores para aproveitar as possíveis valorizações de preço. 

Os usuários que buscam ficar conectados no status de desenvolvimento atual do projeto podem acompanhar o roteiro oficial do projeto Polkadot para obter detalhes atualizados.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 08/03/2021 - 15:05

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