Pré-candidatos do PSD divergem sobre maioridade; Leite cita Master como ‘escândalo político’ e Caiado ataca Lula
Os três governadores pré-candidatos à Presidência pelo PSD divergiram sobre a redução da maioridade penal em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Band, na noite deste domingo (15). Enquanto Ratinho Junior e Ronaldo Caiado se mostraram favoráveis à proposta, Eduardo Leite apontou para a infraestrutura incapaz de receber novos detentos.
Ratinho Júnior disse que “gosta da ideia”, mas afirmou ser necessária uma análise legislativa aprofundada sobre o assunto: “Eu gosto da ideia, mas acho também que tem que ter um debate profundo sobre esse assunto”.
Já Caiado defende que o endurecimento do Código Penal diminuiria a criminalidade juvenil. Ele destacou também que em crimes contra a vida, como homicídio, é necessário que adolescentes sejam punidos como adultos.
“Sou a favor. Na hora que você endurece e que sabe que tem pena e que tem consequência, essa faixa etária de 16 anos tem que começar a responder, sim, pelos crimes praticados”, disse o governador de Goiás.
Leite disse que é preciso haver uma melhoria da estrutura prisional antes de uma redução da maioridade penal. Segundo ele, do jeito que está, os presídios se tornam ambientes recrutadores de novos detentos.
“Eu acho que você pode avançar numa discussão de maioridade penal desde que você consiga resolver um sistema prisional antes, senão nós vamos estar colocando dentro de um sistema que vai recrutar jovens para o crime também”, disse o governador do Rio Grande do Sul.
Master
Na entrevista, o governador do Rio Grande do Sul considerou que a eleição de 2026 terá o caso das fraudes bilionárias do Banco Master como principal escândalo político.
“Os brasileiros estão indo às urnas mais uma vez neste ano diante de graves escândalos de corrupção que não podem ser admitidos. Estamos diante de uma eleição que tem o Banco Master como o grande escândalo”, afirmou Leite.
Ele prometeu na entrevista que a primeira ação, caso eleito presidente em outubro, seria enviar uma proposta de emenda à Constituição para extinguir a reeleição para cargos do Executivo. Foi também uma alteração na Constituição que fez a prática ser permitida, aprovada em 1997 durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Caiado ataca Lula
Já Caiado partiu para o tradicional ataque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governador chamou Lula de “embaixador de facção” na entrevista ao Canal Livre. “Ao invés de estar governando neste momento preocupado com o Brasil, ele se posta de embaixador de facção. Então, este é o Brasil que desencantou a população”, afirmou Caiado.
Caiado disse que Lula é omisso no combate ao crime organizado e que a “apatia” dele impede que o País consiga enfrentar o tema. O governador de Goiás declarou que os brasileiros estão “sequestrados pelo narcotráfico”.
Segundo o governador, é preciso ter um enfrentamento direto, com monitoramento rígido de criminosos e o fim do que ele classifica como “regalias” para presos.
“Não se governa sem autoridade moral. Não se governa sem que tenha condição da pessoa chegar ali, chamar o presidente do Supremo, o presidente da Câmara, do Senado e apresentar todo esse quadro que o Brasil está passando e dizer: ‘Este problema não é apenas do presidente, é de todos nós”, disse o pré-candidato à Presidência.
Caiado voltou a defender a anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro de 2023. Ele disse que irá perdoar imediatamente os envolvidos na tentativa de golpe de Estado. “Acabou esse assunto, vamos trabalhar”, disse.