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Decodificando o Mercado

Estatais: 2025 foi um ano de perdas bilionárias, volatilidade elevada e recuperação parcial no fim do período

27 dez 2025, 10:00 - atualizado em 23 jan 2026, 14:41
estatais petrobras
(Imagem: REUTERS/Sergio Moraes)

A trajetória do valor de mercado das empresas que compõem o Índice Ibov B3 Estatais em 2025 ajuda a explicar, em números e movimentos, por que o investidor segue exigindo um prêmio adicional para carregar risco estatal na Bolsa brasileira.

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Entre o fim de 2024, o pico observado no início do ano, o fundo do segundo semestre e o fechamento de 23 de dezembro, o que se viu foi um mercado marcado por volatilidade intensa, forte destruição de valor e uma recuperação apenas parcial nos meses finais.

O índice, criado pela B3 para acompanhar exclusivamente companhias com controle acionário estatal presentes no Ibovespa, funciona como um termômetro específico da percepção de risco político, regulatório e fiscal embutida nesses ativos. Em 2025, esse termômetro oscilou de forma significativa.

Do ponto de partida ao pico: otimismo de curto prazo

O valor de mercado consolidado das estatais iniciou o ano em R$ 776,5 bilhões, considerando a base de 31 de dezembro de 2024. Nas primeiras semanas de 2025, o mercado ensaiou um movimento de otimismo, impulsionando o conjunto das empresas até o pico de R$ 849,3 bilhões em 18 de fevereiro.

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Na comparação direta, esse avanço representou uma alta de R$ 72,8 bilhões, ou cerca de 9,4%, em menos de dois meses. O movimento refletiu uma combinação de fatores: expectativa de geração de caixa robusta, fluxo estrangeiro pontual e leitura mais benigna sobre dividendos, especialmente nas grandes estatais financeiras e na Petrobras (PETR4), que seguem como o principal vetor do índice.

Da euforia à correção: o mergulho até o fundo do ano

O cenário, porém, mudou ao longo do primeiro semestre. A partir de março, o gráfico passa a mostrar uma sequência de correções, com perda de fôlego do fluxo comprador e aumento da aversão ao risco. O processo culminou no fundo do ano, em 16 de outubro, quando o valor consolidado das estatais recuou para R$ 650,7 bilhões.

Do pico de fevereiro até esse ponto mínimo, a destruição de valor chegou a R$ 198,6 bilhões, o equivalente a uma queda de 23,4%. É um número expressivo, que ajuda a entender por que as estatais voltaram ao centro do debate sobre governança, previsibilidade e interferência do acionista controlador.

Nesse intervalo, a Petrobras respondeu pela maior parcela do ajuste, dada sua elevada participação no índice. Bancos e seguradoras estatais também sofreram, refletindo preocupações com política de crédito, rentabilidade e custo de capital

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Recuperação parcial e fechamento do ano

Após o fundo de outubro, o mercado ensaiou uma reação. Houve recuperação ao longo de novembro, com o valor consolidado voltando à casa dos R$ 727 bilhões, mas o movimento perdeu força em dezembro. No fechamento de 23 de dezembro, o conjunto das estatais estava avaliado em R$ 680,0 bilhões.

Isso significa que, do fundo até o encerramento do período, houve uma recomposição de R$ 29,3 bilhões, mas insuficiente para anular as perdas anteriores. Em relação ao pico do ano, o saldo final ainda é negativo em R$ 169,3 bilhões, uma retração de aproximadamente 19,9%.

Já na comparação com o encerramento de 2024, a queda acumulada é de R$ 96,5 bilhões, ou 12,4%. Em outras palavras, 2025 terminou com as estatais valendo significativamente menor do que valiam no início do ano, apesar de toda a volatilidade e das tentativas de recuperação ao longo do caminho

Um retrato fiel do risco estatal

A leitura do gráfico ao longo do ano mostra que o Índice Ibov B3 Estatais cumpriu seu papel: refletiu, com clareza, a sensibilidade dessas companhias a mudanças de humor do mercado. O vai-e-vem dos preços não foi aleatório, mas sim uma resposta contínua à percepção de risco, à previsibilidade das decisões corporativas e à confiança dos investidores na capacidade dessas empresas de gerar valor de forma sustentável.

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Em 2025, o balanço foi claro. Houve momentos de otimismo, mas o peso das incertezas falou mais alto. O resultado final, perdas bilionárias e recuperação apenas parcial — reforça a mensagem que o mercado vem repetindo há anos: quando se trata de estatais, o investidor até entra, mas dificilmente permanece sem exigir um desconto relevante no preço.

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CEO da Elos Ayta Consultoria e especialista em dados financeiros de mercado
Einar Rivero é CEO da Elos Ayta Consultoria e especialista em dados financeiros de mercado. Formado em Engenharia, tornou-se referência para o mercado financeiro por trazer levantamentos e insights inéditos a partir do cruzamento de dados econômicos. Durante 25 anos, atuou como líder e gerente de relacionamento institucional de plataformas de informação financeira, como TradeMap e Economatica.
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Einar Rivero é CEO da Elos Ayta Consultoria e especialista em dados financeiros de mercado. Formado em Engenharia, tornou-se referência para o mercado financeiro por trazer levantamentos e insights inéditos a partir do cruzamento de dados econômicos. Durante 25 anos, atuou como líder e gerente de relacionamento institucional de plataformas de informação financeira, como TradeMap e Economatica.
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