EUA dizem que vão acelerar desenvolvimento e uso de IA para segurança nacional
A Casa Branca afirmou nesta sexta-feira (5) que vai acelerar o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial (IA) para aplicações de segurança nacional, ao mesmo tempo em que enfatizou que a tecnologia não deve ser usada para realizar vigilância ilegal.
O governo do presidente Donald Trump disse no início desta semana que pediria aos principais desenvolvedores de IA que enviassem voluntariamente seus modelos mais capazes para testes de segurança cibernética do governo antes de liberá-los para o público, à medida que os temores de segurança aumentam em Washington sobre novos e poderosos sistemas de IA.
“Sob minha administração, os Estados Unidos podem e irão acelerar de forma responsável o uso da IA nos domínios de inteligência e de combate, de acordo com os valores norte-americanos”, disse Trump em um memorando de segurança nacional.
Trump disse que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, tinha 90 dias para atualizar uma diretriz existente sobre a autonomia dos sistemas de armas “para garantir a adoção deliberada de sistemas de IA que respeitem a cadeia de comando.”
Trump acrescentou que as tecnologias de IA não devem ser desenvolvidas ou usadas pela agência de segurança nacional “para censurar a liberdade de expressão… ou realizar atividades de vigilância não autorizadas ou ilegais”.
O memorando “acelera a adoção de IA de vários fornecedores para evitar pontos únicos de falha, atualiza a orientação do Departamento de Guerra sobre sistemas de armas autônomas para acompanhar o ritmo da fronteira e garante que nenhuma entidade possa desativar ou degradar um sistema de IA do qual nossos combatentes dependem sem aprovação prévia”, escreveu Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, em uma publicação em rede social.
O memorando vem na esteira de um confronto entre o laboratório de IA Anthropic e o Pentágono.
O Pentágono impôs à Anthropic uma designação formal de risco à cadeia de suprimentos em março, depois que ela se recusou a recuar em relação às proibições de sua ferramenta Claude para alimentar armas autônomas e vigilância em massa dos EUA. O Pentágono disse que deveria ser capaz de usar a tecnologia conforme necessário, desde que cumprisse a legislação dos EUA.
A designação foi uma repreensão extraordinária do governo a uma empresa de tecnologia norte-americana na qual o Pentágono confiou para apoiar operações militares, inclusive no Irã, conforme relatado pela Reuters.
A Anthropic não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o memorando ou sobre uma reunião com executivos de IA que Trump disse na sexta-feira que planejava organizar já na próxima semana.