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EUA em recessão ou com juros altos: qual cenário é o “menos pior” para o Brasil?

30/06/2022 - 10:44
Sobreposição da bandeira dos Estados Unidos com uma nota de dólar
(Imagem: Shutterstock)

Os Estados Unidos andam de mal a pior. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou queda de 1,6%, na taxa anualizada, no primeiro trimestre. E a inflação segue como a mais alta dos últimos 40 anos – em maio, o indicador acumulou alta de 8,6%.

O plano do Federal Reserve é claro: o banco central americano vai aumentar as taxas de juros para controlar a disparada nos preços. O problema é que isso freia a economia e se o país registrar mais um PIB negativo, entra no que os economistas chamam de recessão técnica – que são dois trimestres seguidos de queda na atividade econômica.

E aí cabe ao Fed entender até que ponto deve promover o aperto fiscal sem fazer os Estados Unidos caírem em uma recessão. Para o Brasil, nenhuma das opções – juros altos e recessão – são realmente boas. Mas, se puder escolher, juros altos é menos pior.

Antes de mais nada, é importante destacar que recessão não deveria ser um cenário buscado por nenhum país. “A recessão é muito pior porque, geralmente, está ligada a um desequilíbrio muito grande. Se não for por causa de algum choque econômico, então significa que foi barbeiragem”, afirma Marco Caruso, economista-chefe do Banco Original.

Os juros altos, apesar de ser um desafio, no fundo, ele é uma solução para um problema maior: a inflação. Se os responsáveis pela política monetário local – que no caso dos EUA é o FED – elevarem as taxas de maneira correta, o resultado vai ser a queda da inflação. Então, entre viver em uma recessão e viver em um ambiente de juros mais altos, é preferível passar um tempo com juros altos.

Juros altos vs Recessão

Para o Brasil, um cenário de juros altos nos Estados Unidos tem um ponto negativo: a fuga de investidores para o mercado americano.

Quando o Banco Central aumenta a Selic aqui, enquanto o Fed mantém próximo de zero por lá, vale mais a pena investir no Brasil. Isso atrai investidores, que trazem dinheiro estrangeiro. Resultado: valorização do real.

Agora, quando os EUA começam a ter juros mais altos, aí os investidores começam a migrar para lá. O motivo é que a terra do Tio Sam é mais estável que países emergentes – grupo no qual está o Brasil. “Esse ambiente de dinheiro mais caro impõe uma maior seletividade dos investidores. É normal que eles prefiram receber um juros, mesmo que mais baixo, em dólar e em um país estável, do que deixar em um local com maior risco”, destaca Caruso.

Já a recessão traz uma outra questão: a queda do consumo global. Os Estados Unidos são a maior economia do mundo e o segundo maior parceiro comercial brasileiro – fica atrás só da China. “O Brasil é um grande importador de commodities e uma recessão na economia americana vai impactar no comércio como um todo”, afirma Enzo Pacheco, analista da Empiricus.

No ano passado, o comércio entre Brasil e Estados Unidos atingiu o patamar histórico de US$ 70,5 bilhões. Entre os principais produtos, estão justamente ferro, aço e petróleo.

No entanto, Pacheco lembra que, dificilmente, os EUA vão conseguir escapar de uma recessão. “É um cenário muito difícil de ler. Mas pelas projeções que a gente observa, eu não descartaria uma recessão americana ainda este ano.”

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Última atualização por Juliana Américo - 30/06/2022 - 10:44

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