Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, apesar da surpresa positiva, o dado não muda a visão do banco central de que é preciso de mais tempo para avaliar a trajetória da economia norte-americana.
“Em nossa avaliação, os dados de janeiro, embora ligeiramente melhores do que o esperado, não alteram o plano de voo do Fed. A autoridade monetária deve manter postura prudente, sobretudo diante de um mercado de trabalho que permanece equilibrado e ainda relativamente resiliente”, afirma.
Serviços seguem pressionando
O principal vetor de alta no mês foi o grupo de habitação (shelter), com avanço de 0,2%. Aluguéis e aluguel equivalente do proprietário também subiram 0,2%, mantendo a inflação ligada à moradia próxima de 3% em 12 meses.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Segundo Claudia Moreno, economista do C6 Bank, o CPI veio abaixo das estimativas, mas a composição exige cautela.
“Os preços de serviços subiram 0,4% no mês, puxados por transportes (1,4%) e por serviços de abastecimento de água, esgoto e coleta de lixo (0,7%). Já os bens industriais ficaram praticamente estáveis”, destaca.
A energia ajudou a conter o índice, com recuo de 1,5% no mês, influenciada pela queda de 3,2% na gasolina. Já os alimentos avançaram 0,2%.
Juros seguem no radar
Na avaliação do C6 Bank, a inflação acumulada de 2,4% ainda está acima da meta de 2% do Fed, enquanto os serviços seguem resilientes, com alta de 2,9% em 12 meses.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A expectativa da instituição é de manutenção dos juros no intervalo entre 3,5% e 3,75% na reunião de março. Para a Suno Research, o processo de desinflação deve continuar ao longo do ano, o que pode abrir espaço para cortes apenas no segundo trimestre de 2026.
Segundo o CME FedWatch, as apostas de um afrouxamento monetário no mês que vem se manteve praticamente estável, subindo de 8,4% para 9,7%.