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Existem aspectos positivos e negativos em redes sociais descentralizadas?

05/09/2020 - 13:00
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Conforme surgem cada vez mais preocupações sobre o potencial de abuso, desinformação, perda de privacidade e uso indevido de dados em plataformas de redes sociais como Facebook, YouTube e Twitter, existe uma alta demanda por redes sociais descentralizadas (Imagem: Freepik)

Após o grande hack ao Twitter em julho, surgiram novos pedidos por soluções descentralizadas de redes sociais que não podem ser comprometidas da mesma forma.

O fato é que já existem plataformas de redes sociais mais descentralizadas criadas no blockchain.

Algumas são projetos abandonados, algumas demonstram potencial de crescimento. Porém, até hoje, todas sofreram para ganhar e manter uma base de usuários significativa.

Inúmeras startups de blockchain estão trabalhando para solucionar esse problema, mas seria possível existir uma plataforma de rede social completamente descentralizada?

E se um Facebook descentralizado ou um Twitter de ponto a ponto conseguir atrair uma grande base de usuários, o resultado seria um sonho utópico ou um pesadelo distópico?

Steemit é uma das redes sociais em blockchain mais conhecidas da indústria cripto (Imagem: Crypto Times)

Redes sociais descentralizadas

Steemit e Minds surgiram como as duas plataformas descentralizadas de rede social mais populares, com mais de um milhão de usuários registrados cada. Ambas podem ser consideradas como plataformas de redes sociais incentivadas, pois recompensam usuários em criptoativos por sua contrição às redes.

Lançada em 2016, Steemit funciona no blockchaim Steem e recompensa usuários em sua cripto nativa, STEEM, pela publicação, curadoria e comentários sobre conteúdos.

Steem foi a primeira plataforma a implementar a abordagem de “seja pago para blogar” que alavancou pagamentos em cripto de baixo custo para seu mecanismo de recompensas e se beneficiou de sua vantagem de pioneira nesse crescente segmento de redes sociais ponto a ponto.

Steemit possui quase 1,2 milhão de usuários registrados com quase meio milhão de usuários ativos que discutem diversos tópicos, como notícias, esportes, política e tecnologia, mas a maioria das discussões é focada em criptoativos, já que grande parte da base de usuários vem dessa comunidade.

SteemIt vs. TRON: não subestime
uma comunidade descentralizada

Após um grande ímpeto, o mercado de baixa de 2018 não fez bem para o projeto, já que inúmeros problemas resultaram no interesse decrescente de usuários.

Minds se autorefere como uma rede social de código aberto e descentralizada que paga usuários em criptoativos por sua contribuição. Lançada em 2015, o objetivo da Minds é que “criadores de conteúdo tomem de volta sua liberdade, receita e alcance social”, segundo seu whitepaper.

Hoje, Minds, baseada na Ethereum, possui 1,25 milhão de usuários registrados em que apenas acima de cem mil são ativos na plataforma.

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Voice afirma que vai ser “social como deveria ser”, oferecendo uma plataforma amigável em vez de uma rede com constante impeditivos maliciosos e que não fornecem segurança (Imagem: Voice)

Voice: um Facebook descentralizado?

Uma nova candidata no setor de redes sociais alimentadas por blockchain é a plataforma Voice que está sendo desenvolvida pela rede EOS. Voice, que ainda está em fase beta, promete posse de dados e recompensas financeiras para usuários por meio de seu token nativo.

Com apoio financeiro da Block.One e a ampla comunidade da EOS, Voice pode se tornar uma forte candidata entre as redes sociais de blockchain.

Usuários beta conseguem convidar amigos a usarem o aplicativo e postagens públicas estão disponíveis.

A equipe da Voice descreve o projeto como uma alternativa descentralizada e anticensura ao Facebook, Twitter e Medium. O CEO Salah Michael Zalatimo afirma que Voice promove “transparência, autenticidade e humanidade”.

O feed do Voice parece uma versão mais limpa do Medium como um feed no estilo do Twitter de rolamento infinito.

Quando um usuário cria uma publicação e outros gostarem, o publicador recebe tokens Voice e a publicação ganha visibilidade. Quanto mais popular for uma publicação, mais tokens são ganhos.

Outras redes sociais de blockchain incluem DTube, Mastodon, Sapien e Yours. Todas lutam para ganhar adesão e manter sua força.

E se qualquer um em qualquer parte do mundo puder publicar o que quiser? (Imagem: Freepik)

Os benefícios de redes sociais descentralizadas

Os benefícios de redes sociais descentralizadas incluem resistência à censura, posse de dados pessoais, melhor curadoria de conteúdos, pouco ou nenhum anúncio e novos modelos de monetização de conteúdo.

Porém, apesar desses benefícios óbvios, existe um lado obscuro para um modelo de rede social resistente à censura e completamente descentralizado. E se qualquer um em qualquer parte do mundo puder publicar o que quiser?

Imagine uma rede social descentralizada que permite a privacidade de usuários por meio de criptografia e integração a Tor, incentiva a contribuição de usuários por meio de um modelo de recompensas baseado em tokens, realiza a curadoria de conteúdos apenas com base no voto de usuários e é executada sem qualquer tipo de autoridade que pode intervir na plataforma e realizar mudanças ou edições quando a rede estiver no ar.

Por mais tentador que isso pareça aos defensores da liberdade de expressão, o resultado pode não ser tão agradável.

Se o conteúdo não pode ser editado ou deletado pelos operadores de uma rede social, a plataforma corre o risco de ser prejudicada. Uma rede social “onde tudo pode acontecer” corre o risco de estar repleta de conteúdo ilegal, atividades criminosas e discurso de ódio.

Em outras palavras, iria rapidamente se deteriorar e se tornar em algo parecido com a dark web hoje em dia. Essas plataformas já existem mas, devido a seu conteúdo extremista, não crescem além de pequenas comunidades já existentes.

Gab se apresenta como uma tentativa de apresentar uma rede social em que usuários podem controlar sua experiência on-line sob seus próprios termos em vez dos já estabelecidos por grandes plataformas (Imagem: Gab)

Por exemplo, a rede social Gab foi criada para preservar a liberdade de expressão e uma vez planejou migrar para um modelo descentralizado de blockchain. Se descreve como “uma rede social que defende a liberdade de expressão, a liberdade individual e o fluxo livre de informações on-line”.

Wikipédia afirma que “o site foi amplamente descrito como um porto seguro para extremistas, incluindo neonazistas, supremacistas brancos e cidadãos de direita.

Atraiu usuários e grupos extremistas que haviam sido banidos de outras redes sociais. Gab afirma apoiar a liberdade de expressão e a liberdade individual, mas essas alegações foram criticadas por serem uma proteção ao seu ecossistema extremista”.

O problema da liberdade de expressão e como censurar conteúdo é contínuo, em parte devido ao surgimento da teoria da conspiração QAnon em 2020, Facebook, Twitter e YouTube modificaram suas práticas de moderação de conteúdo conforme a desinformação continua a se espalhar.

O fenômeno QAnon surgiu no 4Chan, um fórum com limitada moderação de conteúdo que se tornou lar para uma base de usuários on-line que gostam de conteúdos extremos.

A autogovernança de uma comunidade por meio de votações de “sim” ou “não” sobre conteúdos — um marco entre as atuais redes sociais “descentralizadas” — não é uma solução para o problema dos conteúdos de liberdade de expressão.

Conteúdos não requisitados podem não ser populares ou aparecerem na(s) página(s) principal(is) da plataforma, mas usuários que acessam a plataforma em busca de conteúdo ilegal não irão demorar muito para encontrá-lo.

Qualquer opção de pesquisa — seja ela baseada em texto ou em hashtags — poderia dar fácil acesso a qualquer um que busque por pornografia ilegal, drogas, discursos de ódio e outros materiais ilícitos.

A futura plataforma que se tornar dominante deve ser assim como chaves privadas: irrevogáveis por qualquer intermediário (Imagem: Freepik/pikisuperstar)

Pensando no futuro

O surgimento de teorias da conspiração como QAnon e campanhas de desinformação nacionais espalhadas por redes sociais como Twitter e Facebook contribuíram para um ambiente on-line polarizado e tóxico.

O empreendedor de tecnologia Balaji Srinivasan falou sobre a necessidade de uma nova rede social que modela níveis de civilidade do mundo físico. “Primeiro precisamos reconstruir a civilização on-line para depois fazê-lo off-line”, argumenta ele.

“Precisamos novamente nos curvar à natureza radicalmente igualitária da internet original. Todos os nós são criados igualmente. Existe alguém na Índia, Nigéria, Venezuela que é um investidor melhor do que grande parte da galera em Sand Hill ou Wall Street. Cripto os dá uma chance de ascender.”

Srinivasan afirma que, para algumas pessoas, antes era novidade conseguir xingar estranhos on-line. Porém, é algo menos inovador em 2020. De fato, agora é o atual estado das coisas, graças às curtidas e os votos positivos.

Então, a insanidade on-line criou uma demanda por civilidade on-line (e off-line). Temos dados fisiológicos que mostram o efeito da dieta nutricional no metabolismo.

Conteúdos com base em preferências podem distorcer a percepção da realidade de usuários de certas plataformas (Imagem: Freepik/vectorpouch)

Assim como é importante manter uma dieta saudável, é cada vez mais importante otimizar sua dieta informacional, senão você corre o risco de se tornar altamente radicalizado por conta dos algoritmos das plataformas dominantes que continuarão te mostrando conteúdos que reforçam uma perspectiva de câmara de eco que pode muito bem distorcer sua percepção da realidade.

Srinivasan argumenta que plataformas descentralizadas irão oferecer uma solução. “O livro-registro é o conjunto de todos os feeds criptograficamente sinalizados de dados no blockchain.

Agrupa feeds de redes sociais, interfaces de programação de aplicações (APIs) de dados, streams de eventos, newsletters, RSS.

Levará anos para criar mas, no fim, se tornará a camada descentralizada de fatos que serve de alicerce para toda a narrativa. Sua plataforma deve ser assim como suas chaves privadas: irrevogáveis por qualquer intermediário.”

Como isso funciona na prática? Dentre outras coisas:

– todos devem ter seu próprio nome de domínio;
– pseudônimos desde o início;
– o conteúdo é de código aberto;
– o código é o “cidadão de primeira classe” junto com o conteúdo;
– oráculos hospedam fatos.

(Imagem: Tradução feita a partir da tabela publicada por Balaji Srinivasan no Twitter)

Conforme cada vez mais usuários de redes sociais ficam descontentes com a forma como players dominantes do setor lidam com dados e censuram conteúdos, pode existir uma tendência crescente para que usuários de redes sociais explorem alternativas descentralizadas.

Plataformas que fornecem mais liberdade de expressão, governança de dados de usuários e modelos de incentivo que permitem que usuários monetizem suas contribuições podem atrair mais usuários nos próximos anos.

Pelo menos, irão forçar os incumbentes a considerarem ou talvez adaptar seus modelos de negócio para se tornarem mais éticos e focados nos usuários.

Redes sociais completamente descentralizadas que operam sem termos de serviço e podem ser usadas por qualquer um para postar qualquer coisa são difíceis de escalar. O risco é de poderem rapidamente se transformar em fóruns ilegais que reúnem uma minoria que gosta de conteúdos extremistas.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 01/09/2020 - 15:50