Exportação de carne suína do Brasil tem recorde em março; embarque de frango cresce apesar da guerra
As exportações brasileiras de carne suína tiveram um recorde histórico em março, com total de embarques de 153,8 mil toneladas, considerando produtos in natura e processados, relatou nesta quarta-feira (8) a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Os embarques de março do país, que busca se consolidar como o terceiro exportador global de carne suína, atrás de Estados Unidos e União Europeia, superaram em 32,2% os totais registrados no mesmo período do ano passado.
Os volumes também apagaram o recorde mensal anterior de 151,6 mil toneladas, visto em setembro do ano passado.
“A demanda global por carne suína do Brasil segue elevada, em especial, em mercados como Filipinas, Japão e outros países da Ásia e da América do Sul”, afirmou o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota.
“O comportamento das exportações neste início de ano deve persistir ao longo dos próximos meses, confirmando a projeção de alta para os embarques de 2026”, acrescentou ele.
A receita dos embarques de março também foi recorde, com US$361,6 milhões, aumento de 30,1% em relação ao terceiro mês de 2025.
De janeiro a março, o crescimento em volumes foi de mais de 16%, com 392,2 mil toneladas embarcadas.
As Filipinas foram destino de 48,9 mil toneladas em março, aumento de 80,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas ao Japão somaram 18,2 mil toneladas, salto de 85,8%, segundo a ABPA.
Frango confirma aumento geral apesar de guerra
As exportações brasileiras de carne de frango totalizaram 504,3 mil toneladas em março, alta anual de 6% apesar de desafios logísticos gerados pela guerra no Irã, segundo a ABPA, confirmando projeção do presidente da entidade feita à Reuters no mês passado.
O Oriente Médio é um importante destino, tendo recebido cerca de 30% da carne de frango exportada pelo Brasil em 2025.
A receita mensal das exportações brasileiras somou US$944,7 milhões em março deste ano, número 6,2% maior em relação ao mesmo período de 2025.
O crescimento foi obtido com ajuda da retomada do ritmo das importações praticadas pela China, cujas compras diminuíram em 2025 por conta de um foco de gripe aviária no país.
De acordo com a ABPA, os embarques para os países do Golfo Pérsico foram afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz, em função da guerra, mas os exportadores estão conseguindo direcionar parte das cargas, utilizando algumas alternativas logísticas.
Houve uma queda de 18,5% nos embarques para a região em março, apontou a ABPA.
“Apesar da queda comparativa registrada no Oriente Médio, os expressivos volumes comprovam que o fluxo de exportações segue acessando a região por meio das rotas alternativas”, disse Santin.
“São mais de 100 mil toneladas enviadas aos mercados da região no mês de março, com mais de 45 mil toneladas destinadas aos países diretamente impactados pelo fechamento do Estreito de Ormuz”, acrescentou ele.
No restante dos mercados, a demanda segue crescente, em especial, nos principais destinos da Ásia, analisou o presidente da ABPA.