Fed adota estratégia de ‘esperar para ver’ e mercado projeta manutenção nos juros
Há muitas incertezas rondando os Estados Unidos — menos em relação à primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve. As projeções do mercado são firmes ao apontar a manutenção dos juros pelo banco central norte-americano, com 97,2% das apostas, segundo o CME FedWatch.
O Bank of America destaca que o Fed continua dependente dos dados. Com isso, a atenção se volta para a coletiva de imprensa de Jerome Powell, na qual os investidores devem acompanhar especialmente as falas sobre a queda da taxa de desemprego em dezembro e a relação entre a atividade econômica robusta e a taxa de juros neutra.
O banco relembra que a inflação medida pelo Índice de Preços de Despesas com Consumo Pessoal (PCE) permaneceu mais firme do que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) até novembro. O núcleo do PCE — que exclui os preços voláteis de alimentos e energia — subiu 0,16% no mês e 2,8% na comparação anual, em linha com as expectativas. Em outubro, o avanço mensal havia sido de 0,21%. Com isso, a taxa anualizada do núcleo do PCE em três meses caiu de 2,7% em setembro para 2,3% em novembro.
“Os dados do PCE mostraram algum arrefecimento da inflação, mas ela ainda permanece acima dos níveis compatíveis com a meta de 2% do Fed”, destaca o BofA.
Segundo os analistas do Goldman Sachs, a reunião de janeiro deve ser tranquila, sem mudanças nas taxas de juros, com apenas pequenas alterações no comunicado e poucas pistas sobre o caminho futuro da política monetária. Além disso, Powell deve enfatizar que o Fomc já realizou três cortes de juros, que devem ajudar a estabilizar o mercado de trabalho, e que o comitê está bem posicionado enquanto avalia os impactos desses ajustes.
O banco acrescenta que, se o mercado de trabalho de fato se estabilizar ao longo do ano, como esperado, novos cortes de juros se tornam menos urgentes. Embora 15 dos 19 participantes do Fomc antecipem que de um a quatro cortes adicionais possam ser apropriados no futuro, os dirigentes devem aguardar um progresso mais convincente da inflação.
“Projetamos o próximo corte de 25 pontos-base em junho, seguido por um corte final em setembro, levando a taxa para um intervalo de 3% a 3,25%, embora seja difícil ter confiança no timing, especialmente diante da incerteza sobre quem será o próximo presidente do Fed e quais, se houver, dirigentes podem deixar o comitê”, afirma o Goldman Sachs.