Fed: Alta dos juros pode estar na mesa; veja o que esperam os economistas
O Federal Reserve (Fed) deve manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75% na reunião desta quarta-feira (29), segundo a expectativa predominante do mercado.
Apesar do consenso em torno da manutenção, economistas afirmam que o foco dos investidores estará na comunicação da autoridade monetária, em busca de pistas sobre seus próximos passos.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, cerca de 68,5% do mercado aposta na manutenção dos juros, enquanto 31,5% ainda precifica uma alta de 0,25 ponto percentual.
Mais importante do que a decisão será o tom do Fed
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a decisão em si não deve trazer surpresas, mas o comunicado e a coletiva de imprensa do presidente do Fed, Kevin Warsh, terão peso ainda maior por se tratar de uma reunião sem divulgação das projeções econômicas.
Segundo o economista, os investidores devem acompanhar três pontos principais. O primeiro é uma eventual mudança no tom do comunicado em relação ao texto da reunião anterior, quando o banco central reforçou o compromisso de levar a inflação de volta à meta mesmo diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, pelos investimentos ligados à inteligência artificial e pelos efeitos das tarifas comerciais.
Outro aspecto importante será a existência de eventuais divergências entre os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), o que pode oferecer pistas sobre a direção da política monetária nas próximas reuniões.
Por fim, Kayo destaca que o mercado acompanhará de perto o discurso de Kevin Warsh após a decisão. Um tom mais duro no combate à inflação poderá fortalecer a percepção de que uma nova alta de juros permanece sobre a mesa, mesmo que ela não seja anunciada nesta quarta-feira.
Coletiva deve concentrar a atenção dos investidores
A avaliação da economista Andressa Durão, do ASA, segue a mesma linha. Para ela, o Fed deve manter os juros inalterados nesta quarta-feira, mas o principal evento da reunião será a coletiva de imprensa de Kevin Warsh.
Segundo Durão, o novo formato do comunicado, mais enxuto e adotado na reunião anterior, reduz a quantidade de informações transmitidas no texto oficial e torna as declarações do presidente do banco central ainda mais relevantes para os mercados.
A economista pondera, contudo, que ainda há incertezas sobre a duração e a profundidade da comunicação de Warsh, diante das sinalizações recentes de mudanças mais amplas na estratégia de comunicação do Fed.
Na avaliação do ASA, a mensagem central da autoridade monetária não deve mudar. A expectativa é de que Warsh volte a reforçar o compromisso de conduzir a inflação de volta à meta de 2%, mas evite oferecer sinais mais claros sobre quando poderá ocorrer um eventual ajuste na política monetária.