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Fed deve desapontar o mercado: Corte de juros previsto pode não ser suficiente

31/07/2019 - 12:20
FOMC terá que realizar um corte de juros “preventivo”, a fim de garantir a continuidade do crescimento (Imagem: Joshua Roberts/Bloomberg)

 Por Darrell Delamaide/Investing.com

É praticamente certo que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) desapontará os investidores em sua reunião de política monetária amanhã. Tudo indica que o Fed cortará a taxa de referência dos fundos federais em 25 pontos-base, de 2,25-2,50 para 2,00-2,25. Se não fizer isso, os mercados ficarão enfurecidos; mas, mesmo que haja um corte, provavelmente não será suficiente.

Em vista do crescimento constante da economia norte-americana, da taxa de desemprego na mínima histórica e da inflação atenuada, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) terá que realizar um corte de juros “preventivo”, a fim de garantir a continuidade do crescimento.

O problema é que um corte de 25 pontos-base não é tão preventivo assim. Se o objetivo é apenas reverter a curva de juros, colocando os rendimentos de curto prazo no seu devido lugar, ou seja, abaixo dos rendimento de longo prazo, um corte de 25 pontos-base provavelmente fará isso. A diferença de rendimentos entre a letra de três meses e a nota de dez anos do Tesouro americano se estreitou para perto disso.

Mas a tecnicalidade de desligar o alerta de recessão não contribui muito para impulsionar a economia. É por isso que os participantes do mercado querem mais cortes de juros nas próximas reuniões, a partir de meados de setembro, quando os futuros dos fundos do Fed preveem uma chance de 70% de outro corte, para 1,75-2,00 ou menos. Na reunião do FOMC em dezembro, os futuros preveem uma chance de corte para 1,50-1,75 ou menos.

Hora de ir direto ao ponto

A reação do mercado nesta semana dependerá muito de como o comitê expressará sua mensagem de consenso e, sobretudo, de como o presidente do Fed, Jerome Powell, explicará o pensamento os formuladores da política monetária.

Se ele continuar enfatizando os obstáculos e riscos à economia, principalmente as tensões comerciais, pode ser que os investidores continuem acreditando que haverá outros cortes pela frente.

Mas, nesse caso, se o Fed sabe que um corte de 25 pontos-base não será suficiente, por que simplesmente não vai direto ao ponto, por assim dizer, e causa um pouco de surpresa nesse processo? Um ousado corte de meio ponto pode mostrar que o Fed está sendo suficientemente preventivo para sustentar o crescimento.

Um movimento ousado seria mais eficiente

Nada que o Fed faça nesta semana conseguirá fazer com que a inflação suba para sua meta de 2%, muito menos acima disso, no intuito de atingir sua inflação simétrica ideal, que pode ficar acima de 2% para compensar todo o tempo em que ficou abaixo desse patamar. Mas um corte de meio ponto seria mais útil para gerar forças capazes de acelerar os aumentos de preço.

Isso, no entanto, não vai acontecer. O melhor que os investidores podem esperar é que Powell mantenha a porta aberta para outros cortes em breve.

O problema é que Powell já demonstrou instabilidade em suas visões, dependendo da direção para a qual o vento esteja soprando. Ele deixou de querer aumentos constantes de juros e passou a defender um Fed paciente; agora, praticamente está garantindo um corte de juros no futuro.

Quem está tomando as decisões?

E o que virá em seguida? Mais cortes de juros ou um retorno à paciência? Se Powell for reativo, quem de fato toma as decisões?

O presidente dos EUA, Donald Trump, vinha exigindo que o Fed cortasse os juros e finalmente está conseguindo o que quer, depois de chamar os membros do banco de todos os nomes imagináveis – “incompetentes” é o mais gentil de todos.

Apesar da retória das autoridades do Fed, dizendo que são independentes em face desses ataques presidenciais, um observador externo poderia ficar com a impressão de que eles, na verdade, estão seguindo as ordens de Trump, ainda que com uma preguiça considerável.

O mais provável, no entanto, é que eles estejam seguindo as doutrinas obsoletas que habitam as mentes dos economistas que ajudam Powell e outros formuladores de política monetária a decidir o que pensar,e não uma prescrição para movimentos ousados ou mesmo consistência de uma reunião para a outra.

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Última atualização por Rafael Borges - 31/07/2019 - 12:23

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