Fed mantém juros nos EUA entre 3,50% e 3,75%; projeções indicam caminho mais duro para a política monetária
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve, nesta quarta-feira (17), os juros de referência dos Estados Unidos (EUA) no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano.
A decisão, amplamente esperada pelo mercado, era a aposta majoritária para a reunião de junho, com 99,6% dos agentes do mercando prevendo manutenção pela manhã, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group.
O Fed afirmou que a economia norte-americana continua se expandindo em ritmo sólido, mesmo diante das incertezas associadas ao conflito no Oriente Médio. A autoridade monetária destacou a força dos investimentos, o avanço da produtividade e a resiliência do mercado de trabalho, com desemprego estável e criação de vagas acompanhando o crescimento da força de trabalho.
Sobre a inflação, o Comitê ressaltou que o indicador segue acima da meta de 2%, pressionado, em parte, por choques de oferta e pela alta de preços em setores específicos, como energia. O banco central reafirmou que continuará perseguindo a estabilidade de preços.
A decisão foi unânime.
Projeções do Fed
As projeções econômicas divulgadas junto à decisão reforçaram o tom cauteloso da autoridade monetária. O Fed elevou sua estimativa para a inflação medida pelo índice de gastos com consumo (PCE) em 2026, de 2,7% para 3,6%, enquanto a projeção para o núcleo da inflação subiu de 2,7% para 3,3%.
Ao mesmo tempo, a expectativa para o crescimento do PIB foi reduzida apenas marginalmente, de 2,4% para 2,2%, e a taxa de desemprego esperada caiu de 4,4% para 4,3%.
O chamado dot plot, gráfico que reúne as projeções individuais dos dirigentes para a trajetória dos juros, também indicou uma postura mais dura do Fed. A mediana das estimativas passou a apontar uma taxa de 3,8% ao fim de 2026, acima dos 3,4% projetados em março. Para 2027, a projeção avançou de 3,1% para 3,6%.
Diante desse cenário, oito dirigentes esperam manutenção dos juros entre 3,5% e 3,75% neste ano — ou seja, sem cortes até dezembro. Já três esperam alta de 0,25 ponto percentual e outros cinco projetam alta de 0,50 ponto percentual ainda este ano.
Na prática, os números sugerem que o banco central americano continua enxergando espaço para cortes de juros nos próximos anos, mas em um ritmo mais lento do que o previsto anteriormente. A combinação de uma economia ainda resiliente com uma inflação mais persistente reforça a percepção de que os juros deverão permanecer em patamares elevados por mais tempo.
Próximos passos
Às 15h30 (horário de Brasília), o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, faz sua estreia e concede entrevista coletiva. O mercado deve buscar sinais mais claros sobre o timing de eventuais cortes de juros e a leitura da autoridade monetária sobre inflação e atividade.