Fictor Alimentos (FICT3) anuncia nova auditoria em meio à recuperação judicial; entenda
A Fictor Alimentos (FICT3) informou, na manhã desta terça-feira (3), a contratação de uma nova auditoria independente, após a renúncia da empresa responsável anteriormente pelos trabalhos.
Em fato relevante, a companhia comunicou que o seu conselho de administração aprovou a escolha da RSM Brasil Auditores Independentes Ltda. para auditar as demonstrações financeiras relativas ao exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2025.
Além disso, a RSM também ficará responsável pela revisão das Informações Financeiras Trimestrais (ITRs) e demais demonstrações financeiras referentes ao ano de 2026, em conformidade com as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Conselho Federal de Contabilidade.
Renúncia da antiga auditoria
A troca ocorre após a renúncia da UHY Bendoraytes & Cia Auditores, formalizada em carta recebida pela companhia em 18 de fevereiro.
Segundo a Fictor Alimentos, a saída foi motivada por “circunstâncias supervenientes” que, na visão da empresa renunciante, afetariam os pressupostos essenciais para a manutenção do relacionamento profissional e as condições normativas necessárias à continuidade dos trabalhos.
Recuperação judicial
A empresa destacou, ainda, que a renúncia da antiga auditoria também está relacionada ao processo de recuperação judicial (RJ) em curso de seu grupo controlador.
Inicialmente, apenas a Fictor Invest e a Fictor Holding haviam ingressado com o pedido de RJ, com dívidas estimadas em cerca de R$ 4 bilhões.
No entanto, na semana passada, a Fictor Alimentos informou ao mercado que solicitou sua inclusão no polo ativo da recuperação judicial, apontando que reunir as empresas do conglomerado em um único processo cria um ambiente mais estruturado para negociar dívidas e contratos.
O imbróglio com o Banco Master
O pedido de recuperação do grupo foi motivado, segundo a Fictor, por um “choque reputacional” após a divulgação da proposta de aquisição do Banco Master, posteriormente liquidado pelo Banco Central (BC).
A narrativa apresentada à Justiça aponta corrida de resgates em estruturas de Sociedades em Conta de Participação (SCPs), cancelamentos contratuais e pressão sobre o caixa.