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Fictor, que tentou comprar Banco Master, entra no radar da CVM por oferta irregular de investimentos

20 jan 2026, 11:24 - atualizado em 20 jan 2026, 11:24
fictor master
A Fictor, que chegou a tentar comprar o Master, entrou na mira da CVM por oferta irregular de investimentos. (Foto: Reprodução)

A combinação das palavras “investigação” e “Banco Master” não param de surgir, mesmo quando não envolve diretamente o banco. Dessa vez, a Fictor, que chegou a tentar comprar o Master, entrou na mira da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por oferta irregular de investimentos.

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O movimento se dá após a Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (Abai), entidade que representa mais de 150 escritórios, entrar com um pedido de consulta junto à autarquia sobre a forma e o modelo de oferta realizado pela instituição, que está presente no segmento de alimentos, infraestrutura e financeiro.

A companhia chamou atenção pela promessa de retornos financeiros acima da média do mercado. De acordo com informações as quais o Money Times teve acesso, chegou ao conhecimento da Associação que a Fictor vinha realizando a captação de poupança popular por meio de uma estrutura que formalmente utiliza Sociedades em Conta de Participação (SCPs).

No entanto, a oferta desses serviços estaria ocorrendo de maneira ampla e pública, descaracterizando a natureza privada dos SCPs e configurando, em tese, a emissão de Contratos de Investimento Coletivo (CIC).

Neste cenário, a Abai busca que a CVM analise indícios de oferta pública irregular de valores mobiliários, bem como uma atuação irregular da própria Fictor.

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O que está no radar?

Segundo documento, a Fictor estaria oferecendo promessas de 2% a 3% ao mês para o cliente e materiais publicitários citando até 18% ao ano, configurando promessas incompatíveis com a realidade do mercado financeiro atual e com a natureza de renda variável parte das SCPs.

A estratégia seria sustentada por ofertas agressivas de remuneração aos assessores, na ordem de 2% ao mês sobre o volume captado. A Abai levanta que a prática, conhecida como “rebate”, incentiva a venda desses produtos à margem das instituições integrantes do sistema de distribuição às quais os assessores estão vinculados.

“Adicionalmente, verifica-se uma preocupante ausência de transparência e de registro, uma vez que os recursos aportados pelos investidores são transferidos diretamente para as contas correntes das sócias ostensivas, sem a devida estrutura de custódia, auditoria ou fiscalização típica de fundos regulados pela CVM, somando-se a relatos de dificuldades no resgate (com prazos de D+60) e falta de acompanhamento via extratos formais”, diz o texto entregue à CVM.

Procurada pela reportagem, a Fictor não retornou até o momento de publicação do texto. O espaço segue aberto para posicionamento. A CVM também foi procurada, mas também não retornou.

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Quem é a Fictor

A Fictor é uma holding de investimentos com presença nos setores alimentício, de infraestrutura e serviços financeiros, conforme a própria se apresenta. Além disso, é patrocinadora do Palmeiras.

Fundada em 2007, a companhia passou por um reposicionamento em 2020 e direcionou o foco para os investimentos e gestão de ativos.

Em novembro do ano passado, a Fictor Holding Financeira anunciou união com um consórcio árabe para adquirir o Banco Master, de Daniel Vorcaro. A operação incluiria o aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforço da estrutura de capital da instituição.

No entanto, no dia seguinte, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero para investigar crimes do Master contra o Sistema Financeiro Nacional, que levou a sua liquidação decretada pelo Banco Central e a prisão de Vorcaro.

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Na última semana, após relatos de atrasos em pagamentos e pedidos de resgate, a Fictor divulgou uma nota na qual nega enfrentar um quadro de insolvência e afirma que os valores em atraso devem ser regularizados em 12 de fevereiro de 2026.

No texto, a holding afirma atravessar um momento “atípico” de sua história, marcado por maior exposição e pressão midiática (por conta da tentativa de compra do banco de Daniel Vorcaro). Além disso, também cita ajustes operacionais decorrentes de relações com fornecedores estratégicos.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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