Figurinhas da Copa nas embalagens se transformam em prejuízo para a Coca-Cola
A Coca-Cola vem comercializando figurinhas da Copa do Mundo 2026 desde 15 de abril. Os cromos autocolantes são disponibilizados no verso dos rótulos de algumas garrafas. Trata-se de uma ação global e a expectativa é de que ele dure até 15 de junho.
No Brasil, entretanto, a campanha está causando prejuízo à marca. Em supermercados, os rótulos das garrafas premiadas começaram a ser violados para o furto dessas figurinhas, impedindo a venda dos refrigerantes e o lucro dos supermercados.
Com isso, a Coca-Cola reconhece os danos e afirma tomar as devidas providências, recolhendo os produtos afetados e reembolsando as varejistas. A multinacional descarta preocupações e segue defendendo a iniciativa.
Quem se responsabilizará?
O problema da iniciativa foi a execução. Especialistas afirmam que, ao inserir as figurinhas nos rótulos, a Coca-Cola criou um atrativo para que os consumidores manipulassem as embalagens.
Com o rótulo e, consequentemente, o código de barras retirados, o produto se torna inútil para venda. E como a escolha da promoção é exclusiva da fabricante, já que as varejistas apenas recebem o produto naquelas condições, o fornecedor é quem deve se responsabilizar.
Em nota, a Abras (Associação Brasileira de Supermercados) afirma acompanhar os relatos de furto de rótulos e que as empresas têm adotado medidas para preveni-los. A entidade acrescenta que não há risco de falta de produtos nas lojas.
E para o consumidor?
Clientes que manipularam as mercadorias podem ser punidos criminalmente.
As práticas podem obrigar o cliente a pagar pelo produto violado e, em alguns casos, resultar em prisão em flagrante, de acordo com os artigos 155 (furto) e 163 (destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia) do Código Penal.
A campanha
A promoção da Coca-Cola deriva de uma parceria com a fabricante de figurinhas Panini. Podem ser encontrados 14 jogadores de futebol ao total, incluindo o brasileiro Gabriel Magalhães, nas garrafas das versões de 600 ml e 2,5 litros, tanto da Coca-Cola Sabor Original quanto da Zero Açúcar.
A iniciativa era promissora, como na Copa do Mundo anterior. Conhecida entre os consumidores desde 2022, quando foi lançada, ela vinha registrando resultados positivos e elevada adesão, de acordo com a marca.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.