Filho do último xá do Irã pede intervenção militar dos EUA
O líder da oposição iraniana, Reza Pahlavi, afirmou no sábado (14) que uma intervenção militar dos Estados Unidos no Irã poderia salvar vidas e pediu ao governo do presidente Donald Trump que não prolongue as negociações com os líderes religiosos de Teerã sobre um acordo nuclear.
O filho exilado do xá deposto do Irã disse à Reuters, em entrevista, que há sinais de que o governo iraniano estaria à beira do colapso e que um ataque poderia enfraquecê-lo ou acelerar sua queda.
Pahlavi falou à margem da Conferência de Segurança de Munique, evento do qual autoridades do governo iraniano estão proibidas de participar.
“É uma questão de tempo. Esperamos que esse ataque acelere o processo e que o povo possa finalmente voltar às ruas e levar o regime à sua derrubada definitiva”, disse Pahlavi, que mora nos Estados Unidos e vive fora do Irã desde antes de seu pai ser derrubado na Revolução Islâmica, em 1979.
Uma campanha de prisões em massa e intimidação levou à detenção de milhares de pessoas, enquanto as autoridades iranianas tentam impedir novos protestos após a repressão, no mês passado, aos distúrbios mais violentos desde 1979. As manifestações começaram em 28 de dezembro, como um ato modesto no Grande Bazar de Teerã contra as dificuldades econômicas, e rapidamente se espalharam pelo país.
Trump questionou nível de apoio a Pahlavi
A oposição iraniana está fragmentada entre grupos rivais e facções ideológicas — incluindo os monarquistas que apoiam Pahlavi — e aparenta ter pouca presença organizada dentro da República Islâmica. Em entrevista à Reuters no mês passado, Trump demonstrou ceticismo quanto ao nível de apoio de Pahlavi dentro do Irã.
O governo Trump iniciou conversas com Teerã para avaliar a possibilidade de um novo acordo nuclear, ao mesmo tempo em que Washington reforçava sua presença militar na região. Diplomatas dos Estados Unidos e do Irã se reuniram em Omã na semana passada, e novos encontros são esperados para a próxima semana.
“As pessoas esperam que, em algum momento, se chegue à conclusão de que não adianta, que não faz sentido, que não vamos chegar a lugar nenhum com as negociações. Portanto, é hora de os Estados Unidos intervirem e fazerem o que o presidente Trump prometeu: apoiar o povo”, afirmou Pahlavi.
“A intervenção é uma forma de salvar vidas”, acrescentou.
Na sexta-feira (13), em discurso a tropas americanas na Carolina do Norte, Trump disse que o Irã tem sido difícil nas negociações nucleares e sugeriu que pode ser necessário pressionar Teerã para resolver o impasse de forma pacífica.
Dois funcionários norte-americanos, que falaram sob condição de anonimato, disseram à Reuters que as Forças Armadas dos Estados Unidos se preparam para a possibilidade de uma operação prolongada, com duração de semanas, contra o Irã, caso Trump ordene um ataque.