Fim da escala 6×1? Nesta rede de supermercados já é realidade — e ela não é a única
A discussão em torno da escala 6×1 deixou de ser restrita a gabinetes e passou a ocupar conversas do dia a dia, das redes sociais às mesas de bar, ao longo de 2025 e neste começo de 2026. Enquanto o poder público ainda avalia possíveis mudanças nas regras trabalhistas, parte do setor privado resolveu agir por iniciativa própria. Um exemplo vem do interior paulista, com a rede Savegnago.
A companhia decidiu expandir o modelo de jornada 5×2 — cinco dias de trabalho seguidos por dois de descanso — para um número maior de unidades. A decisão chama atenção porque supermercados, em geral, operam com escalas mais rígidas, já que funcionam aos fins de semana e feriados e dependem de rodízios constantes de funcionários.
Segundo a empresa, a experiência iniciada em Indaiatuba será replicada a partir de janeiro de 2026 em lojas localizadas em Campinas, Sumaré e Hortolândia. O novo formato também será adotado em unidades do Paulistão Atacadista nas cidades de Barretos, Sertãozinho e Franca, conforme informou o grupo em comunicado divulgado nas redes sociais.
De acordo com a administração, a proposta da nova escala é oferecer uma rotina mais equilibrada e previsível aos colaboradores, ao mesmo tempo em que preserva a organização e a eficiência das operações.
Com mais de 13 mil colaboradores diretos e presença em 21 municípios, o Grupo Savegnago segue em expansão, com a meta de atingir 79 unidades até o final de 2026.
A rede não foi a primeira
Um dos nomes que mais chamaram atenção ao abandonar a jornada de 44 horas semanais foi o icônico Copacabana Palace, que também está em um setor que opera no limite máximo de dias e horas trabalhadas permitido pela CLT.
Na avaliação do Copacabana Palace, a nova jornada faz parte de uma estratégia para melhorar a qualidade de vida no trabalho, reduzindo o desgaste da rotina e ampliando o tempo disponível fora do ambiente profissional.
O novo modelo atinge os times que sustentam a operação diária do hotel — de camareiras e governantas a garçons, chefs e concierges. A única exceção são os profissionais de segurança, que seguem atuando em regime de 12×36.
Em São Paulo, o Palácio Tangará anunciou recentemente a adoção do novo formato após um processo interno de consulta aos funcionários. A mudança exigirá um aporte extra de cerca de R$ 2 milhões por ano veio na esteira de uma demanda clara das equipes: em assembleia realizada com o sindicato, quase nove em cada dez trabalhadores se posicionaram a favor da alteração.
Fim do 6X1 vai virar lei?
A discussão sobre a mudança no modelo de jornada ainda está longe de um desfecho. Embora o tema tenha avançado institucionalmente no fim do ano passado, quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal deu aval a uma proposta que altera a escala de trabalho e reduz o limite semanal de horas, o caminho até a virada em lei segue longo.
Antes de qualquer efeito prático, a proposta precisa superar uma sequência de votações formais, que inclui o plenário do Senado, a análise da Câmara dos Deputados e, ao final, a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pode sancionar ou vetar o texto.
Hoje, há duas frentes legislativas tratando do mesmo tema. Uma delas está na Câmara, onde a proposta permanece estacionada em uma subcomissão criada especificamente para debater o assunto. Sem consenso político, o texto não avançou para a Comissão de Constituição e Justiça da Casa, etapa obrigatória antes de qualquer votação em plenário. Mesmo que destravasse ali, ainda teria de cruzar todo o processo no Senado.
A primeira proposta em tramitação no Senado corre em pista um pouco mais livre. Após receber o sinal verde da CCJ o texto segue agora para deliberação dos senadores em plenário. Se aprovado sem mudanças, ainda precisará passar pela Câmara antes de chegar à mesa do presidente para decisão final.