Fim da linha para os motoboys? Entregas por drones avançam nos EUA e ganham espaço no Brasil
Para quem usa serviços de delivery com frequência, seja durante a semana ou no fim de semana, o pedido pode começar a chegar literalmente voando. Nos Estados Unidos, o Walmart planeja ampliar as entregas por drones para mais de 150 lojas. No Brasil, as chamadas “aeroentregas” também já deixaram de ser promessa e começam a sair do papel.
O principal impulso para a expansão do serviço nos EUA veio de uma mudança na legislação. Até então, a regra permitia apenas voos em que o drone permanecesse dentro do campo de visão do operador.
A nova norma da FAA — a agência de aviação civil norte-americana — ainda está em fase de implementação, mas já autoriza drones comerciais a voarem além desse limite visual, abrindo espaço para operações em maior escala.
O funcionamento do serviço é simples. Os clientes do Walmart fazem os pedidos pelo aplicativo da Wing e recebem a encomenda no endereço desejado. A expectativa é que, em breve, as compras também possam ser feitas diretamente pelo aplicativo do próprio Walmart.
Nas lojas, funcionários separam e embalam os produtos em cestas leves de papelão, que são acopladas aos drones. A partir daí, as aeronaves realizam voos totalmente autônomos, com monitoramento remoto feito por operadores humanos.
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A entrega ocorre sem pouso. As encomendas são baixadas por cabos diretamente nos quintais ou nas portas das residências. Segundo o Walmart, a maioria das entregas por drones — atualmente gratuitas para assinantes do Walmart+ — chega em até 30 minutos.
No Brasil, a comida também já chega voando
No Brasil, o iFood também já aposta nas entregas aéreas. Desde outubro de 2025, a empresa realiza operações com drones em Aracaju (SE).
Por aqui, no entanto, o modelo é diferente do adotado nos Estados Unidos. As aeronaves não fazem entregas diretas em qualquer local.
Separados pelo rio Sergipe, Aracaju e o município de Barra dos Coqueiros formam o eixo da operação de entregas por drones do iFood na região. Para vencer essa barreira geográfica, a empresa estruturou dois “droneportos”, pensados para facilitar a logística.

De um lado está a capital sergipana; do outro, Barra dos Coqueiros, cidade com cerca de 40 mil habitantes, cuja população se concentra majoritariamente em condomínios de alto padrão.
Antes da operação com drones, para que os moradores tivessem acesso a grandes redes de restaurantes, os entregadores precisavam sair de Aracaju, cruzar a ponte que liga os municípios e, depois, refazer todo o trajeto de volta.
Segundo o iFood, esse deslocamento levava cerca de 40 minutos, sem contar o tempo de retorno.
A solução foi instalar um “droneporto” no principal shopping de Aracaju. Os pedidos feitos na praça de alimentação são levados a pé das cozinhas até o ponto de decolagem, onde são embalados em caixas acopladas aos drones.
A partir daí, as aeronaves decolam de forma autônoma e fazem o trajeto até Barra dos Coqueiros em cerca de cinco minutos.
Ao chegar ao destino, um entregador coleta a refeição e finaliza o percurso até a casa do cliente. Sem carga, o drone retorna sozinho para Aracaju.