Fim da seca dos IPOs: PicPay toca sino e estreia na Nasdaq com oferta de até US$ 500 milhões
Após quase cinco anos de seca dos IPOs no Brasil, uma empresa brasileira finalmente voltou a tocar o sino de abertura na bolsa. O PicPay fez sua estreia na Nasdaq nesta quinta-feira (29), sob o ticker PICS.
Em discurso durante a cerimônia em Nova York, o CEO da companhia, Eduardo Chedid, destacou a trajetória de desenvolvimento da fintech como carteira digital até se consolidar como um banco digital completo.
“O PicPay reúne escala, crescimento acelerado e rentabilidade, sempre com muita consistência e eficiência […] A listagem na Nasdaq não é a linha de chegada. É apenas o começo de um novo e empolgante capítulo da nossa história”, pontuou Chedid.
Além de chamar atenção por dar fim ao hiato da abertura de capital de empresas brasileiras, a fintech se destaca pela precificação da oferta a US$ 19 por ação, atingindo o topo da faixa indicativa, que ia de US$ 16 a US$ 19 e alta demanda que obteve.
O banco pretende usar o dinheiro captado dos novos sócios para capital de giro, despesas operacionais, requisitos regulatórios e para financiar a aquisição da Kovr Seguradora.
O IPO do PicPay
Fundando em 2012, o banco digital da família Batista vendeu cerca de 22,9 milhões de ações Classe A, levantando aproximadamente US$ 434 milhões (R$ 2,25 bilhões, no câmbio atual).
O valor, no entanto, ainda pode subir, uma vez que os investidores terão um prazo de 30 dias para exercer a opção de compra de mais 3,4 milhões de papéis no lote adicional. Com isso, o valor total da transação pode atingir cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões na cotação atual).
Com o resultado da oferta, o valor de mercado do PicPay deve alcançar cerca de US$ 2,6 bilhões (R$ 13,5 bilhões).
A fintech buscou a listagem nos Estados Unidos depois de planejá-la anteriormente para 2021. A última empresa brasileira a realizar um IPO fora do Brasil foi o Nubank, justamente em 2021.
O IPO foi coordenado globalmente por Citigroup, Bank of America (BofA) e RBC Capital Markets. Também participaram da operação Mizuho, Wolfe e Nomura Alliance, Bradesco BBI, BB Securities, BTG Pactual e XP, como bookrunners.