Fortnite: como um dos games mais jogados no mundo fez mais de mil funcionários serem demitidos de uma vez
Em 2020, o universo dos jogos online parecia ter um único dono: o Fortnite. O battle royale da Epic Games já vinha em ascensão, mas no ano da pandemia, em meio ao isolamento social, ele virou mais do que um jogo e passou a funcionar como ponto de encontro digital. Jogar era, também, uma forma de socializar.
Nesse cenário, as skins deixaram de ser mero detalhe estético e viraram um negócio. Gratuito para jogar, o Fortnite encontrou nas roupas dos personagens uma máquina de receita: bastava trocar o visual para dar ao avatar uma identidade única dentro da partida.
Franquias como Marvel e DC Comics, além de fenômenos como Stranger Things e artistas famosos, ganharam versões no game, transformando o ambiente virtual em uma espécie de metaverso pop.
A combinação de jogabilidade dinâmica, gráficos cartunescos e constantes inovações manteve o título no topo por anos, se tornando um dos jogos mais bem sucedidos do mundo. Eventos ao vivo, incluindo shows musicais dentro do próprio jogo, reforçaram a sensação de que a fórmula era praticamente infalível.
Mas o roteiro começou a mudar. Nos últimos dias, a Epic Games anunciou uma onda de demissões, com o corte de mais de mil funcionários. Segundo o CEO, Tim Sweeney, o próprio Fortnite está no centro do problema.
A culpa é do Fortnite
Em publicação no X (antigo Twitter), Sweeney afirmou que o engajamento abaixo do esperado desde 2025 pressionou as finanças da companhia. Hoje, segundo ele, a empresa gasta mais para manter o jogo do que consegue gerar de receita. A Epic também tratou de afastar rumores de que a decisão teria relação com o avanço da inteligência artificial.
“Alguns dos nossos desafios são exclusivos da Epic. Apesar de Fortnite continuar sendo um dos jogos de maior sucesso do mundo, temos enfrentado dificuldades para entregar a magia de Fortnite de forma consistente a cada temporada”, escreveu o executivo.
A alta concorrência, a disputa pela atenção e o dinheiro dos jogadores começaram a pesar para a companhia. Sweeney ainda cita como empecilhos para o crescimento as outras formas de entretenimento digital que estão cada vez mais envolventes, além dos atuais consoles estarem vendendo menos do que a geração anterior.
Mesmo com a queda da popularidade, o Fortnite segue como um dos games mais jogados do mundo, com a estimativa de faturamento de US$ 6 bilhões em 2025.
Como que fica o jogo agora?
A partir de agora, o futuro de Fortnite deve ser mais enxuto e, ao mesmo tempo, mais estratégico. A Epic Games decidiu recalibrar o jogo, cortando modos considerados menos sustentáveis. Três experiências serão descontinuadas: Ballistic e Festival Battle Stage deixam de existir já em 16 de abril, enquanto Rocket Racing segue até outubro de 2026 antes de sair de cena.
A empresa busca reduzir a dispersão e concentrar esforços no que ainda sustenta o ecossistema do game. Nesse movimento, a empresa aposta em fortalecer os pilares mais populares. O modo PvE “Salve o Mundo”, por exemplo, finalmente será liberado de forma gratuita em 16 de abril — uma tentativa de ampliar a base de jogadores e reaquecer o interesse no título.
O tradicional battle royale, coração do Fortnite, segue como prioridade. A Epic mantém o compromisso com atualizações frequentes e já lançou uma nova temporada recentemente, sinalizando que o foco agora é entregar experiências mais consistentes, ainda que com menos frentes abertas.
Além disso, ajustes recentes indicam uma estratégia dupla para crescer em alcance e melhorar a monetização. A chegada do jogo à Google Play Store pode destravar novos usuários, enquanto o reajuste nos preços dos V-Bucks aponta para uma tentativa de equilibrar as contas em meio ao aumento de custos.