Frigoríficos recuam em dia de forte alta para o Ibovespa; entenda os motivos
As ações dos frigoríficos operavam em queda generalizada por volta das 15h51 desta terça-feira (27), destoando do bom desempenho do mercado acionário. No mesmo horário, o Ibovespa avançava 1,96%, aos 182.220 pontos.
A MBRF (MBRF3) liderava as perdas, com recuo de 2,84%, seguida pela Minerva (BEEF3), que caía 2,26%, e pelo BDR da JBS (JBSS32), que registrava baixa de 0,79%.
O movimento está relacionado à alta dos contratos futuros do boi gordo, o que pressiona os custos das companhias. O contrato com vencimento em fevereiro (BGIG26) subia 1,05%, enquanto o de maio (BGIK26) avançava 0,33% e o de outubro (BGIV26) acumulava alta de 0,67%.
Um boi mais caro implica aumento de custos para os frigoríficos em um ano em que as exportações não devem ser tão aquecidas em relação a 2025, em função das cotas impostas pela China, principal compradora da carne bovina brasileira.
“Além disso, o real está muito valorizado neste momento, com o câmbio em torno de R$ 5,21, o que reduz a competitividade das exportações e piora a taxa de conversão do dólar para o real”, explica Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado.
A Minerva e a MBRF divulgam seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) em 18 de março, enquanto a JBS reporta seus números em 25 de março.
MBRF no 4T25
A XP Investimentos projeta um trimestre sequencialmente mais fraco para a MBRF no quarto trimestre de 2025 (4T25), com uma receita líquida de R$ 40,8 bilhões (queda de 1% contra o 4T24 e recuo de 2% contra o 3T25) e Ebita ajustado de R$ 3,4 bilhões, recuo de 11% contra 4T24 e queda de 3% frente ao 3T25). A casa conta com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 20,90 para a ação.
Entre os principais destaques, a XP destaca 3 pontos:
- Menor margem de Ebitda ajustado apesar da sazonalidade;
- Margem da National Beef deve seguir a sazonalidade, mas permanecer em território positivo apesar do cenário desafiador;
- Os volumes devem continuar aumentando devido à expansão de capacidade na América do Sul, mas esperamos compressão de margem devido a spreads mais fracos.