Gasolina e etanol devem fechar o mês em alta apesar de redução da Petrobras
Os preços da gasolina e do etanol nos postos de combustíveis no Brasil deverão encerrar o mês em alta, apesar de uma redução anunciada pela Petrobras, com impulso de um aumento da alíquota do ICMS aliado à entressafra de cana-de-açúcar, de acordo com especialistas de empresas que monitoram transações no varejo.
O valor médio do etanol subiu 3,52% na comparação da média de dezembro com o acumulado de janeiro até o dia 26, segundo o índice de preços da Edenred Ticket Log, que apontou alta de 1,89% para a gasolina. Já a ValeCard indicou avanço de 3,46% para o biocombustível e alta de 1,63% para o combustível concorrente nos postos.
Os levantamentos foram finalizados antes de a Petrobras, maior produtora de gasolina do Brasil, efetivar a redução de 5,2% no preço do combustível para as distribuidoras, na última terça-feira. Ainda assim, a tendência para o mês não deve ter alteração expressiva.
“Com a redução do preço da gasolina anunciada pela Petrobras no fim de janeiro, o cenário tende a mudar, mas esse movimento não se traduz em queda imediata nas bombas. Para as próximas semanas, o que se espera é um processo de acomodação gradual, já que os postos ainda operam com estoques adquiridos a preços mais elevados e contratos firmados anteriormente com distribuidoras”, disse Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard.
Ele lembrou ainda que o repasse do preço da Petrobras para os consumidores depende da dinâmica regional de concorrência, dos custos logísticos e da composição final do combustível, que inclui a mistura do etanol anidro, mesmo com o ICMS padronizado nacionalmente.
“Por isso, eventuais reduções tendem a ocorrer de forma escalonada e desigual entre regiões, e não de maneira uniforme ou já na semana seguinte ao anúncio”, acrescentou, em mensagem enviada à Reuters.
Renato Mascarenhas, diretor de Rede Abastecimento da Edenred Mobilidade, destacou que, apesar da redução de 5,2% anunciada pela Petrobras, o reajuste do ICMS, que representou um aumento médio de 6,37%, acabou se sobrepondo.
“Na prática, isso significa que, mesmo com a queda no preço de origem, o consumidor ainda percebeu um leve aumento nas bombas, com impacto relativamente limitado no bolso”, afirmou.
O índice Edenred Ticket Log ainda registrou alta de 0,97% para o diesel comum, enquanto o diesel S-10 teve aumento de 0,80% em janeiro, avanço um pouco maior do que o captado pela ValeCard (0,56%).
Após a estabilidade de dezembro, janeiro trouxe uma leve recomposição dos preços do diesel, influenciada por ajustes pontuais de mercado, diferenças regionais de oferta e também pelo impacto do novo ICMS, segundo a avaliação da Edenred Ticket Log.
“Embora o efeito do imposto seja mais perceptível na gasolina, o diesel também sentiu esse movimento, resultando em altas moderadas e ainda dentro de um cenário controlado”, afirmou Mascarenhas.