Gerdau (GGBR4): CEO fala em cortar investimentos no Brasil em meio a impasse com o governo

A Gerdau (GBBR4) decidiu reduzir seus investimentos no Brasil diante do avanço da importação de aço, que Gustavo Werneck, CEO da companhia, classificou como “assustador”.
“Não faz mais sentido a gente continuar a investir altos patamares no Brasil”, avaliou Werneck em conversa com a imprensa nesta sexta-feira (1º), após a divulgação do resultado do segundo trimestre de 2025 (2T25) na noite anterior.
“Vamos promover adequações de capacidade porque a importação segue crescendo. Esperávamos que o governo adotasse medidas mais duras contra o aço importado”, disse o executivo.
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Segundo o executivo, os projetos já iniciados serão concluídos, mas novos investimentos passarão por reavaliação. Ele ressaltou que ainda não há definição sobre quais iniciativas serão afetadas.
A companhia deve avaliar em agosto e setembro sua estratégia futura de investimentos e divulgar a conclusão no início de outubro, durante o Ivestor Day da empresa. Nos últimos anos, a Gerdau tem desembolsado entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões anualmente.
O diretor financeiro da companhia, Rafael Japur, detalhou que, dos R$ 6 bilhões previstos em investimento global para 2025, R$ 4 bilhões estão destinados ao Brasil.
Por outro lado, Werneck reforçou que a empresa manterá os investimentos futuros nos Estados Unidos, aproveitando o ambiente favorável da política de reindustrialização e os incentivos governamentais.
Apesar disso, o CEO afirmou que a empresa está cautelosa para não comprometer a operação que, segundo ele, “vive um momento muito bom”. “Estamos muito cuidadosos com o que fazemos lá para não atrapalhar o que está bom”, disse.
No segundo trimestre, a operação na América do Norte foi responsável por 61,4% do Ebitda ajustado do grupo.
Veja detalhes do resultado
A siderúrgica reportou lucro líquido ajustado de R$ 864 milhões no 2T25, queda de 8,6% na base anual, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 2,6 bilhões, em linha com as estimativas do mercado. A margem Ebitda foi de 14,6%, pressionada pelo desempenho mais fraco no Brasil.
Os analistas esperavam um lucro líquido de R$ 886 milhões no período e um Ebitda de R$ 2,6 bilhões, segundo projeções da Bloomberg.
Já a receita líquida da siderúrgica somou R$ 17,5 bilhões no período, um avanço de 5,5% na base anual.
O nível de endividamento da companhia, medida pela relação entre dívida líquida/Ebitda, encerrou junho em 0,85 vez ante 0,69 vez no trimestre encerrado em março. No mesmo período do ano passado, a alavancagem era de 0,53 vez a dívida líquida/Ebitda.
–Com informações da Reuters