Comprar ou vender?

Gestor acusa Smart Fit (SMFT3) de ‘interpretação livre’ dos próprios números; empresa se defende

26 jun 2023, 15:40 - atualizado em 26 jun 2023, 15:48
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Cerize, da Skopos, afirma que Smart Fit não contabiliza corretamente leasing operacional; CFO da empresa rebate: “cumprimos integralmente a legislação vigente” (Imagem: Divulgação/ Smart Fit)

O gestor da Skopos Investimentos, Pedro Cerize, questionou a o balanço da Smart Fit (SMFT3), que, segundo ele, faz uma “interpretação livre” da norma contábil que orienta colocar o leasing operacional na dívida da companhia. As declarações foram feitas na conta de Cerize no Twitter. A empresa disse em nota que segue a legislação vigente (ver mais abaixo).

A interpretação, disse o gestor – que tem posição vendida na ação -, não aparece em nenhum local na apresentação. “Você tem que ir no ITR [formulário de informações trimestrais]”, afirmou. “Lá [no documento] você vai encontrar outros R$ 3,5 bilhões de arrendamentos”.

Segundo o press release, a Smart Fit tem R$ 750 milhões em dívida líquida (DL), com Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) levemente acima de R$ 1 bilhão. Com isso, o múltiplo DL/Ebitda é de 0,7.

A forma correta de apresentar o número, defende Cerize, seria somar os R$ 750 milhões de dívida líquida com R$ 3,5 bilhões em arrendamentos. “Com isso, esse passivo passaria a R$ 4,2 bilhões. Assim teríamos o múltiplo DL/Ebitda real em mais de 4 vezes contra o modesto 0,7 anterior”, afirmou.

Para o gestor, o caso mostra que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) deveria combater com “muita energia esse tipo de recurso”. “Isso corrompe a base da confiança das pessoas no mercado financeiro”, afirmou, ponderando que não se trata de fraude.

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Academias cheias e venda de ações

O gestor afirmou que não dá para a Smart Fit crescer mais sem abrir novas academias, já que os espaços estão lotados. No entanto, para isso, disse, seria necessário a operação de leasing.

Segundo Cerize, se academia está cheia no verão, esse é o limite de geração de caixa da academia por que ela, diz o gestor, adota o regime de contabilidade caixa. “Vendeu mais plano anual no verão? Todo o dinheiro da venda, toda receita entra no verão”.

“A única solução seria vender mais planos longos, acelerando a receita hoje e contratando a insatisfação futura dos clientes com a lotação exagerada”, afirmou

O gestor também destacou que um private equity “que não vai estar na empresa no longo prazo” está vendendo ações da empresa na Bolsa, no que seria, segundo ele, mais um sinal para a adotar a posição short, isto é, vendida.

Nas últimas semanas, o Pátria reduziu a participação da companhia em ao menos duas ocasiões. No entanto, o fundo ainda detém 32,7% da Smart Fit.

O que diz a Smart Fit

Ao Money Times, o CFO da Smart Fit, Thiago Borges, sustentou que a empresa “cumpre integralmente a legislação vigente, observa todas as normas contábeis aplicáveis, possui Comitê de Auditoria e Conselho Fiscal instalados e é auditada por empresa independente e qualificada”.

“Em relação à citada ‘interpretação livre da norma contábil’ para cálculo do índice de dívida líquida sobre Ebitda, a Smart Fit, conforme divulgado no Earnings Release do 1T23 (vide nota (d) da tabela de “Caixa e Endividamento” da página 14), apresenta a informação de acordo com o exigido nas debêntures, a exemplo da escritura da 6ª emissão de debêntures (https://data.anbima.com.br/debentures/SMFT16/documentos – a definição pode ser vista na página 22)”, disse o executivo em nota.

“No que se refere a arrendamentos com aluguéis, a Smart Fit divulga as informações, conforme práticas contábeis nas Demonstrações Financeiras, e também no Earnings Release (no 1T23, consta da pag 21) (https://api.mziq.com/mzfilemanager/v2/d/757d3905-6a2d-496a-bbb0- 32ddd17de6a0/6c8590b9-87ba-c0c1-9711-3afdb8151718?origin=1)”, afirmou.

Borges destacou que, recentemente, “em função dos resultados positivos e da eficiente gestão da estrutura de capital da companhia”, a Smart Fit teve seu rating incrementado pela Fitch para AA.

Gestor faz afirmação equivocada, diz executivo

Segundo Borges, o gestor da Skopos mencionou equivocadamente a forma de contabilização, como se esta fosse feita pelo critério de caixa. Na verdade, disse o executivo, a contabilização é feita por competência.

“Para garantir o completo entendimento, confirmamos que a Smart Fit não faz venda de plano com recebimento antecipado, uma vez que o pagamento se dá mensalmente”, afirmou.

Em relação à estratégia para geração de receita, acrescentou Borges, a companhia atua em diferentes frentes para buscar constante evolução na sua geração de caixa.

“Como exemplo podemos citar o aumento do número de alunos por unidades, abertura de novas academias (158 em 2022), redução de custos e receitas adicionais, dentre outros, o que pode ser constatado pela constante evolução dos resultados nos últimos anos (exceto o período da pandemia, quando as academias estavam fechadas)”, afirmou.

Sobre a venda de ações pelo private equity, o CFO da Smart Fit disse que a operação era prevista e esperada e afirmou que a companhia está devidamente preparada para essa movimentação acionária.

Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças pela Estácio. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
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Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças pela Estácio. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
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