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Gestores de fundos de Londres veem riscos em regras da UE

15/01/2021 - 19:35
União Europeia
O Reino Unido e a UE têm discordado sobre as regras de terceirização de funções-chave, como gestão de ações, desde a votação do Brexit em 2016 (Imagem: REUTERS/Yves Herman)

Gestores de ativos em Londres já viram como a negociação de ações foi abalada por causa do Brexit. Agora, temem que possam ser os próximos.

Enquanto a União Europeia avalia regras mais rígidas sobre a terceirização de funções-chave, como gestão de ações, existe o risco de que a administração de alguns ativos seja forçada a sair de Londres, prejudicando o status da cidade como centro financeiro global. Empresas no Reino Unido gestionam cerca de 1,4 trilhão de libras (US$ 1,9 trilhão) para hedge funds e fundos mútuos na Irlanda e em Luxemburgo, principais centros da UE, quase metade de todos os recursos administrados em território britânico.

O acordo comercial fechado no fim do ano passado ignorou em grande parte os serviços financeiros, e nada disse sobre esse tipo de terceirização, conhecido como delegação. Limitar essa prática impactaria toda a indústria de gestão de fundos, de gigantes dos EUA como BlackRock a empresas do Reino Unido e europeias, como Schroders e Allianz, o que prejudicaria seu tradicional modelo de negócios e as obrigaria transferir para o bloco as equipes responsáveis pela gestão de fundos da UE.

A delegação é “o elefante na sala”, disse Sonja Laud, diretora de investimentos da Legal and General Investment Management, a maior gestora de fundos do Reino Unido. Parlamentares da UE “deixaram bem claro que gostariam de ver a balança mais para o lado da Europa e que estão muito interessados em fortalecer o setor europeu de gestão de ativos”.

O Reino Unido e a UE têm discordado sobre a delegação desde a votação do Brexit em 2016. O mais recente desafio surge quando Londres já começa a contabilizar o custo de deixar o mercado único, com 6,3 bilhões de euros (US$ 7,7 bilhões) em negociações de ações diárias transferidas para plataformas da UE em 4 de janeiro, o primeiro dia útil após o período de transição.

A extensão da ameaça ainda não está clara. Depende de até onde reguladores da UE decidirem ir ao considerarem mudanças nas regras para gestoras de ativos alternativos, como hedge funds, bem como para fundos mútuos. O objetivo da Comissão Europeia, braço executivo do bloco, é evitar a criação de empresas que terceirizam tantos negócios que não podem ser supervisionadas de forma eficaz ou controlar suas próprias operações.

Gestoras de fundos e lobistas entrevistados para este artigo disseram acreditar que é improvável que a UE recorra ao que um executivo de um hedge fund chamou de opção nuclear – forçar gestores de portfólio a se mudarem -, porque o sistema atual beneficia ambos os lados. Na UE, a delegação ajudou o pequeno Luxemburgo a se tornar o segundo maior centro de fundos depois dos EUA, enquanto os ativos em Dublin triplicaram na última década.

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Última atualização por Diana Cheng - 15/01/2021 - 19:35

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