Giro do Mercado

Copom dá uma sinalização ‘bem clara’ para as próximas decisões, avalia economista-chefe da Monte Bravo

28 jan 2026, 19:31 - atualizado em 28 jan 2026, 19:47
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(Imagem: Rmcarvalho/iStock)

Como o esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano, no maior nível da taxa básica de juros desde meados de 2006, nesta quarta-feira (28). Essa foi a quinta manutenção consecutiva.  A decisão do colegiado foi unânime.

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Dessa vez, o Copom sinalizou o início do afrouxamento monetário já na próxima decisão, em março.

Na avaliação de Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, o comunicado trouxe alguns pontos de atenção quanto aos cortes futuros na Selic.

“O Copom foi bem transparente, inclusive citando que vai dar início aos cortes na próxima reunião, mas com algumas ressalvas. A principal delas é sobre o ritmo e a adequação do nível de juros ao cumprimento da meta [de inflação] em um horizonte relevante, buscando diminuir a intensidade do movimento do mercado em precificar, amanhã (29), um corte muito alto em relação a março e ao ritmo [de cortes]”, disse Costa.

“O Banco Central tentou manter um certo controle nessa reação inicial”, acrescentou o economista-chefe da Monte Bravo.

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Durante o Giro Especial do Copom, o economista-chefe também destacou que, com a retomada do ‘foward guidance‘, o Copom “dá uma sinalização bem clara” para as próximas decisões.

Para ele, “o BC tomou uma decisão, na reunião de hoje, sabendo que as condições se mantendo, daqui até a próxima reunião, o nível de juros real fica muito elevado e, portanto, não tem mais necessidade de manter esse nível de recessão, obviamente respeitando o objetivo de convergir a inflação” à meta.

Corte maior em março?

O economista-chefe da Monte Bravo espera que o Copom inicie o ciclo de afrouxamento monetário com um corte de 0,50 ponto percentual nos juros, levando a Selic para 14,50% em março.

“O BC está partindo de um nível de juros muito alto e, portanto, ele tem a opção de fazer um ciclo [de cortes] no ritmo de 50 [pontos-base] e esse parece ser o mais adequado”, disse o economista-chefe. Ele, porém, afirmou que Copom quer evitar que o mercado coloque um prêmio sobre o ritmo de reduções.

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A Monte Bravo mantém a projeção de Selic a 12,25% ao ano em dezembro deste ano, em linha com o projetado pelo último Boletim Focus.

Dia de ‘Super Quarta’

Mais cedo, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed) manteve os juros inalterados, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, como o esperado, e interrompeu o ciclo de cortes iniciado em setembro do ano passado.

No comunicado da decisão, o Fomc destacou que as incertezas com a economia norte-americana seguem elevadas. “O Comitê busca alcançar o máximo de emprego e inflação na taxa de 2% ao longo do prazo. A incerteza sobre as perspectivas econômicas permanece elevada. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato”, disse o comunicado.

“O Fed deixou bem claro que não tem urgência de cortar os juros e que mantém a postura de ‘parar e observar’. Vemos que ainda tem espaço para cortar os juros nos EUA após a mudança na presidência do BC e esperamos uma redução em junho e outra no segundo semestre”, avaliou Costa.

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“Mesmo o Copom cortando aqui, o diferencial de juros continuará muito alto e isso não deve ser um fator de pressão para o câmbio”, acrescentou o economista-chefe da Monte Bravo.

Veja o Giro do Mercado Especial na íntegra: 

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