Petróleo

Até onde vai o petróleo? Goldman Sachs corta projeção do Brent após acordo entre EUA e Irã e reabertura de Ormuz

17 jun 2026, 12:32 - atualizado em 17 jun 2026, 12:32
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(Foto: Reuters/Christian Hartmann)

Com o anúncio de um memorando de entendimentos entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de reabertura integral do Estreito de Ormuz após a assinatura oficial na próxima sexta-feira (19), o Goldman Sachs cortou as projeções para os preços do petróleo Brent.

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“Embora os detalhes completos do acordo ainda não estejam claros, agora assumimos que as exportações do Golfo Pérsico retornarão aos níveis anteriores à guerra até o fim de julho (ante a expectativa anterior de fim de agosto)”, afirmaram os analistas Daan Struyven, Yulia Zhestkova Grigsby, Alexandra Paulus e Filippo Cuscito, em relatório.

Nas contas da equipe, a antecipação do processo de normalização da oferta para julho reduz o valor justo do Brent em cerca de US$ 10 no quarto trimestre deste ano e em US$ 5 em 2027.

Sendo assim, o banco agora estima o barril do Brent a US$ 80 o barril em dezembro deste ano, ante a projeção anterior de US$ 90. Para 2027, a expectativa é de Brent cotado a US$ 75 o barril, em média.

Para o petróleo West Intermediate Texas (WTI), referência para o mercado norte-americano e negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), os analistas projetam o barril a US$ 75 no quarto trimestre e a US$ 70 no próximo ano.

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Desde o último domingo (14), quando o acordo provisório foi anunciado, os preços do Brent e do WTI voltaram a ser negociados abaixo de US$ 80 o barril, atingindo os menores níveis desde meados de março. O conflito entre EUA e Irã teve início em 28 de fevereiro.

Brent de US$ 70 a US$ 130 o barril

Para os analistas do Goldman Sachs, as exportações e a produção de petróleo no Golfo Pérsico devem retornar aos níveis pré-guerra entre julho e outubro.

Na avaliação deles, os produtores como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos podem reagir de forma mais agressiva aos baixos estoques comerciais dos países da OCDE (sigla para Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) nos próximos meses, promovendo aumentos de produção maiores do que os previstos no cenário-base do banco.

Além disso, a equipe acredita que a produção iraniana pode superar os níveis pré-guerra caso haja algum alívio nas sanções impostas pelos EUA ao país.

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Nesse cenário, o Goldman Sachs calcula que o barril do Brent pode voltar a ser negociado ligeiramente abaixo de US$ 70 por barril no fim deste ano e ficar próximo de US$ 60 em 2027.

Contudo, os analistas não descartam os riscos para uma recuperação mais lenta da oferta. Uma eventual retomada das hostilidades no Oriente Médio ou ataques a embarcações – o que manteria as empresas de transporte marítimo mais cautelosas – são os principais fatores de risco apontados pelo banco.

O banco também considera que a possilibilidade de o Irã voltar a fechar o Estreito de Ormuz mesmo após sua reabertura, caso as negociações nucleares não avancem.

Já nesse cenário, o banco estima que o Brent possa superar US$ 130 o barril entre outubro e dezembro e registrar uma média de US$ 105 em 2027, caso as interrupções no Estreito de Ormuz persistam ao longo do próximo ano e as exportações dos países do Golfo aumentem gradualmente em 10 milhões de barris por dia até dezembro de 2027, apoiadas pela ampliação dos fluxos permitidos em Ormuz ou da capacidade dos oleodutos.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
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