Goldman Sachs eleva estimativa para preço do barril de petróleo com tensão no Oriente Médio
O Goldman Sachs, na esteira do avanço do conflito no Oriente Médio e da absorção de sinais mistos pelo mercado, elevou a projeção para os preços do barril de petróleo no curto prazo, para uma faixa média de US$ 80 em março.
No relatório, o banco observa que os preços do petróleo Brent subiram 34% no acumulado do ano, atingindo US$ 82 no fechamento de terça-feira (3).
O movimento da commodity, explica, reflete o fechamento do Estreito de Ormuz, os danos à infraestrutura energética e o congestionamento de armazenamento, que levou o Iraque a cortar a produção de petróleo em quase 1,5 milhão de barris por dia
Segundo o banco, há algum alívio no petróleo decorrente de uma recuperação gradual dos fluxos no Estreito de Ormuz. Por outro lado, as preocupações são renovadas à medida que aumentam as evidências de paralisações na produção.
“Embora haja elevada incerteza, estimamos uma capacidade visível de armazenamento terrestre de petróleo bruto de cerca de 600 milhões de barris (mb), somando Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait, Catar e Irã, com pouco mais de 300 milhões de barris de capacidade ociosa antes do início das interrupções”, afirmam os analistas do banco no relatório.
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Para o segundo trimestre de 2026, o banco também elevou a previsão de preço médio do petróleo Brent de US$ 66 para US$ 76 por barril. Já a estimativa para o WTI avançou de US$ 62 para US$ 71.
Riscos altistas
De acordo com o Goldman, os riscos para as estimativas revisadas da commodity permanecem significativamente inclinados para cima, devido a possíveis interrupções mais longas nas exportações pelo Estreito de Ormuz e danos às instalações de produção de petróleo.
“Por exemplo, se os volumes pelo Estreito permanecessem estáveis por mais 5 semanas adicionais, os preços do Brent provavelmente atingiriam US$ 100, um nível associado a maior destruição de demanda para evitar que os estoques caiam para níveis criticamente baixos”, detalha o banco.
Já o risco baixista para os preços, em contrapartida, seria uma normalização mais rápida dos fluxos no Estreito de Ormuz.
Perda de produção
Na hipótese de interrupções substanciais no Estreito de Ormuz em março, o Goldman espera perda de aproximadamente 200 milhões de barris na produção de petróleo bruto do Oriente Médio.
Além disso, o banco prevê grandes reduções nos estoques comerciais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em março, com queda estimada de 76 milhões de barris em relação a fevereiro.