Greve dos caminhoneiros: Governo liga alerta e reforça fiscalização para conter movimento
O governo federal acendeu o sinal de alerta diante da possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros nos próximos dias, em meio à escalada dos preços do diesel impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. Apesar da preocupação, a avaliação no Palácio do Planalto é de que o cenário ainda é controlável e que há espaço para conter o avanço do movimento.
A mobilização ganhou força após uma reunião realizada em Santos (SP), na segunda-feira (16), com lideranças da categoria. A paralisação ainda não está confirmada, mas caminhoneiros seguem em negociação com sindicatos, associações e cooperativas para coordenar ações simultâneas em diferentes portos do país.
Entre as principais reivindicações da categoria estão o reforço na fiscalização dos preços dos combustíveis, o cumprimento do piso mínimo do frete e garantias no pagamento do vale-pedágio. Também há discussões sobre levar as demandas diretamente a Brasília, com a possibilidade de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda nesta semana.
Do lado do governo, a estratégia tem combinado negociação direta com lideranças e o endurecimento na fiscalização do mercado de combustíveis. Segundo análise do BTG Pactual, o Planalto aposta em medidas para coibir reajustes considerados abusivos e reduzir a pressão sobre o diesel.
Nesse contexto, foram acionados a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a Polícia Federal e os Procons estaduais, que iniciaram uma operação em nove estados e no Distrito Federal para coletar preços em postos e investigar possíveis repasses indevidos.
As ações se baseiam nas novas regras da Medida Provisória 1340, que prevê multas de até R$ 500 milhões para aumentos abusivos de preços — penalidade que também pode ser aplicada a fornecedores que se recusarem a vender combustível sem justificativa.
Em paralelo, o governo deve avançar com medidas da Agência Nacional de Transportes Terrestres para assegurar o cumprimento do piso mínimo do frete.
Internamente, a avaliação é de que as medidas adotadas na semana passada já neutralizaram o impacto do reajuste do diesel promovido pela Petrobras. Assim, aumentos recentes nos postos estariam sendo classificados como especulativos e, portanto, sujeitos à fiscalização e punição.
Por ora, não há novas propostas em análise para cortes adicionais de impostos ou ampliação de subsídios. A expectativa do governo é de que, com o reforço na fiscalização e a continuidade das negociações, a situação seja normalizada nos próximos dias, ainda que não se descarte a ocorrência de paralisações pontuais.
*Com informações da Reuters