Destaques da Bolsa

GPA (PCAR3): Ações sobem até 8% após anúncio de negociações com credores e contratação de consultoria; o que está acontecendo?

04 mar 2026, 12:19 - atualizado em 04 mar 2026, 12:19
pão de açúcar gpa (1)
(Imagem: Wikiacommons)

As ações do GPA (PCAR3) recalcularam a rota no pregão desta quarta-feira (4), após caírem quase 18% na véspera. Por volta de 12h (horário de Brasília), as ações da dona da bandeira Pão de Açúcar saltavam 7%, performando entre as maiores altas do Ibovespa (IBOV).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em meio aos temores sobre uma eventual reestruturação da companhia diante da pressão financeira que enfrenta, o GPA contratou consultores para assessorá-lo na busca de alternativas para a melhoria do perfil do endividamento.

A companhia também está em “negociações construtivas” com credores para um acordo sobre dívidas financeiras e outras obrigações de curto prazo não relacionadas à operação, segundo fato relevante divulgado ao mercado.

As ações PCAR3 lideravam as altas do principal índice da bolsa brasileira às 11h30, com avanço de 8,11%, cotada a R$ 2,80. Apesar disso, no ano a varejista de alimentos acumula queda próxima de 30%. Acompanhe o tempo real.



De acordo com a companhia, diferentes alternativas estão em avaliação. No entanto, não há qualquer definição a respeito de uma eventual reestruturação ou outras medidas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A companhia reforça que sua operação é saudável e que as negociações mencionadas têm por seu único objetivo reforçar a liquidez e, portanto, não envolvem suas operações do dia a dia, inclusive com relação ao relacionamento com fornecedores, clientes e parceiros”, diz o comunicado.

As contas do GPA

O posicionamento do GPA nesta quarta (4) vai na contramão das preocupações acerca de uma pressão financeira na companhia.

A companhia soma R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo neste ano, após encerrar 2025 com capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão. Na prática, existem mais obrigações de curto prazo do que recursos disponíveis em caixa.

A maior parte dos vencimentos está concentrada em debêntures. Em maio, vencem R$ 511 milhões da 18ª emissão (primeira série). Em julho, outros R$ 889 milhões da 20ª emissão (segunda série). Somados, R$ 1,4 bilhão precisam ser pagos nos próximos cinco meses.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Há ainda cerca de R$ 254 milhões da 20ª emissão (terceira série), com vencimentos entre 2026 e 2027, além de um empréstimo de aproximadamente R$ 508 milhões, parte também no curto prazo.

O endividamento total gira em torno de R$ 4 bilhões, acima do valor de mercado da companhia, que gira em torno de R$ 1,5 bilhão. O balanço também indica R$ 16 bilhões em contingências tributárias classificadas como perdas possíveis, que não estão provisionadas, além de cerca de R$ 1 bilhão já provisionado como perda provável.

Embora a empresa tenha R$ 1,7 bilhão em ativos fiscais diferidos e aproximadamente R$ 1,8 bilhão em créditos de PIS/Cofins, a realização desses valores depende da geração futura de lucro, o que adiciona incerteza diante do histórico recente de prejuízos.

Alerta para queima de caixa

Em 24 de fevereiro, o GPA divulgou ao mercado seu balanço referente ao quarto trimestre de 2025, que mostrou prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre, 48,2% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, mas acima das estimativas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia ficou em R$ 510 milhões no período, alta de 2,5% sobre um ano antes, segundo o relatório de resultados da companhia.

Analistas, em média, esperavam prejuízo líquido de R$ 134 milhões nos três meses encerrados em dezembro e Ebitda de R$ 466 milhões no período, segundo dados da LSEG.

No período, a companhia presentou uma queima de caixa em 12 meses de R$ 686 milhões, incluindo o impacto positivo das vendas de ativos e do recente aumento de capital/venda de ativos (R$ 96 milhões).

Excluindo esses eventos, a queima de caixa teria sido de R$ 786 milhões no período, aspecto que acende alerta de analistas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
Linkedin
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
Linkedin
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar