GPA (PCAR3): Ações sobem até 8% após anúncio de negociações com credores e contratação de consultoria; o que está acontecendo?
As ações do GPA (PCAR3) recalcularam a rota no pregão desta quarta-feira (4), após caírem quase 18% na véspera. Por volta de 12h (horário de Brasília), as ações da dona da bandeira Pão de Açúcar saltavam 7%, performando entre as maiores altas do Ibovespa (IBOV).
Em meio aos temores sobre uma eventual reestruturação da companhia diante da pressão financeira que enfrenta, o GPA contratou consultores para assessorá-lo na busca de alternativas para a melhoria do perfil do endividamento.
A companhia também está em “negociações construtivas” com credores para um acordo sobre dívidas financeiras e outras obrigações de curto prazo não relacionadas à operação, segundo fato relevante divulgado ao mercado.
As ações PCAR3 lideravam as altas do principal índice da bolsa brasileira às 11h30, com avanço de 8,11%, cotada a R$ 2,80. Apesar disso, no ano a varejista de alimentos acumula queda próxima de 30%. Acompanhe o tempo real.
De acordo com a companhia, diferentes alternativas estão em avaliação. No entanto, não há qualquer definição a respeito de uma eventual reestruturação ou outras medidas.
“A companhia reforça que sua operação é saudável e que as negociações mencionadas têm por seu único objetivo reforçar a liquidez e, portanto, não envolvem suas operações do dia a dia, inclusive com relação ao relacionamento com fornecedores, clientes e parceiros”, diz o comunicado.
As contas do GPA
O posicionamento do GPA nesta quarta (4) vai na contramão das preocupações acerca de uma pressão financeira na companhia.
A companhia soma R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo neste ano, após encerrar 2025 com capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão. Na prática, existem mais obrigações de curto prazo do que recursos disponíveis em caixa.
A maior parte dos vencimentos está concentrada em debêntures. Em maio, vencem R$ 511 milhões da 18ª emissão (primeira série). Em julho, outros R$ 889 milhões da 20ª emissão (segunda série). Somados, R$ 1,4 bilhão precisam ser pagos nos próximos cinco meses.
Há ainda cerca de R$ 254 milhões da 20ª emissão (terceira série), com vencimentos entre 2026 e 2027, além de um empréstimo de aproximadamente R$ 508 milhões, parte também no curto prazo.
O endividamento total gira em torno de R$ 4 bilhões, acima do valor de mercado da companhia, que gira em torno de R$ 1,5 bilhão. O balanço também indica R$ 16 bilhões em contingências tributárias classificadas como perdas possíveis, que não estão provisionadas, além de cerca de R$ 1 bilhão já provisionado como perda provável.
Embora a empresa tenha R$ 1,7 bilhão em ativos fiscais diferidos e aproximadamente R$ 1,8 bilhão em créditos de PIS/Cofins, a realização desses valores depende da geração futura de lucro, o que adiciona incerteza diante do histórico recente de prejuízos.
Alerta para queima de caixa
Em 24 de fevereiro, o GPA divulgou ao mercado seu balanço referente ao quarto trimestre de 2025, que mostrou prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre, 48,2% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, mas acima das estimativas.
O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia ficou em R$ 510 milhões no período, alta de 2,5% sobre um ano antes, segundo o relatório de resultados da companhia.
Analistas, em média, esperavam prejuízo líquido de R$ 134 milhões nos três meses encerrados em dezembro e Ebitda de R$ 466 milhões no período, segundo dados da LSEG.
No período, a companhia presentou uma queima de caixa em 12 meses de R$ 686 milhões, incluindo o impacto positivo das vendas de ativos e do recente aumento de capital/venda de ativos (R$ 96 milhões).
Excluindo esses eventos, a queima de caixa teria sido de R$ 786 milhões no período, aspecto que acende alerta de analistas.