GPA (PCAR3) aponta Casas Bahia como ‘inflexível’ em cobrança de R$ 170 milhões que vence hoje
O GPA (PCAR3) apontou a Casas Bahia como uma credora inflexível na cobrança de R$ 170 milhões, valor que a companhia afirma não ter condições de pagar sem interromper suas operações, mostra o pedido de recuperação extrajudicial entregue à Justiça. O documento indica ainda que a ausência de acordo sobre antigas obrigações contratuais de pagamento elevou a pressão sobre o caixa do GPA.
As ações do dono da bandeira Pão de Açúcar enfrentam mais um dia negativo no Ibovespa (IBOV) no pregão desta quarta-feira (11), com o mercado ainda digerindo o pedido de recuperação extrajudicial anunciado na véspera e aceito hoje pelo juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo.
Por volta de 16h10 (horário de Brasília), as ações PCAR3 caíam 2,26%, cotadas a R$ 2,59. Acompanhe o tempo real.
No pedido, o GPA aponta a evolução da carteira de contencioso como fator para a pressão do caixa no curto prazo. Primeiro, com o aumento no custo anual de fianças e garantias para suspender os atos executivos nas contingências tributárias, que dobrou de R$ 125 milhões, em 2024, para R$ 250 milhões, em 2025.
“Segundo, o esgotamento das discussões judiciais a respeito de antigas obrigações contratuais de pagamento aumentou a pressão sobre o caixa da companhia”, diz o documento. O mais relevante desses casos é a cobrança que o GPA vem recebendo da Casas Bahia.
Em dezembro do ano passado, o GPA perdeu um processo arbitral relacionado a obrigações assumidas da antiga Globex (hoje Casas Bahia). Com isso, houve reconhecimento da obrigação de pagamento pelo GPA de aproximadamente R$ 170 milhões.
“Muito embora a companhia tenha tentado negociar tal pagamento, em especial à luz das dificuldades que vinha enfrentando, a Casas Bahia sempre se demonstrou inflexível, exigindo a quitação imediata. Em 27 de janeiro de 2026, a Casas Bahia ajuizou o cumprimento de sentença […] buscando a satisfação desse crédito. Após decisão do Juízo determinando o pagamento, o GPA tem prazo até dia 11 de março de 2026 para fazê-lo”, diz a petição.
O prazo mencionado vence nesta quarta-feira (11) e o GPA afirma não ter condições de realizar o pagamento sem interromper as suas operações, acrescentando que, sem a proteção legal do processo de recuperação extrajudicial, estaria sujeita a agravar significativamente a pressão sobre o seu caixa.
Os motivos da recuperação extrajudicial
No documento apresentado à Justiça, o Pão de Açúcar afirma que, embora conte com uma plataforma operacional robusta, escala relevante e presença consolidada no Brasil, o cenário de alta alavancagem e um “estrangulamento na liquidez de curto prazo” pressionam a companhia.
A expectativa é de que essas questões sejam solucionadas por meio do plano de recuperação extrajudicial.
Três fatores acumulados levaram ao cenário em que a varejista se encontra hoje, conforme a petição. O primeiro é o ambiente macroeconômico e setorial adverso, com os juros elevados (Selic em 15%) e aumento da pressão competitiva no segmento de atuação.
Somado a isso, está a concentração de vencimentos no curto prazo e obrigações contratuais de pagamento com valores significativos.
“Cada um desses fatores atua de maneira interdependente, intensificando a pressão sobre a liquidez e reforçando a necessidade de reequilíbrio financeiro, a despeito de os resultados operacionais serem positivos”, diz a empresa.
Tentativa de turnaround
No final de 2021, o GPA já havia tentado engatar um turnaround na empresa, um processo que consiste em uma reestruturação profunda e estratégica para colocar a casa em ordem.
Logo de cara, a companhia decidiu encerrar a operação de hipermercados Extra com o fechamento das 100 lojas. Algumas foram vendidas, outras convertidas em “Pão de Açúcar”, ou fechadas em definitivo.
Entre 2022 e o primeiro semestre de 2025, o GPA direcionou seu foco para obter eficiência operacional, vendendo ativos e expandindo as operações nas lojas de proximidade, nas lojas “minuto”.
A partir do segundo semestre de 2025, a companhia reduziu o ritmo de abertura de novas lojas, anunciando um plano de redução de despesas e investimentos. Chegando em 2026, a reestruturação das obrigações financeiras da companhia ganhou ainda mais relevância.
“O passivo não-corrente atualizado da companhia é da ordem de R$ 4,5 bilhões e, caso não renegociados os termos e condições, a companhia teria que arcar neste ano com quase R$ 2,1 bilhões em despesas financeiras e outros R$ 370 milhões em obrigações contratuais, entre pagamento de juros, amortização de principal, multas, penalidades e outras estipulações contratuais”, diz o documento.
“Não é preciso de muito para concluir que a geração de caixa atual, da ordem de R$ 699 milhões, será insuficiente para arcar com todos esses pagamentos”, acrescenta.