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GPA (PCAR3) contrata consultores na busca por melhorar perfil de endividamento

04 mar 2026, 9:52 - atualizado em 04 mar 2026, 9:52
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(Imagem: Renan Dantas/Money Times)

O GPA (PCAR3), dono da bandeira Pão de Açúcar, informou ao mercado que está em “negociações construtivas” com determinadores credores para um acordo sobre dívidas financeiras e outras obrigações de curto prazo não relacionadas à operação.

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Além disso, a varejista contratou consultores para assessorá-la na busca de alternativas para a melhoria do perfil do endividamento.

De acordo com o fato relevante desta quarta-feira (4), diferentes alternativas estão em avaliação, no entanto, não há qualquer definição a respeito de uma eventual reestruturação ou outras medidas.

“A companhia reforça que sua operação é saudável e que as negociações mencionadas têm por seu único objetivo reforçar a liquidez e, portanto, não envolvem suas operações do dia a dia, inclusive com relação ao relacionamento com fornecedores, clientes e parceiros”, diz o comunicado.

Pressão financeira

O GPA vem lidando com um cenário de pressão financeira. A companhia soma R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo neste ano, após encerrar 2025 com capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão. Na prática, existem mais obrigações de curto prazo do que recursos disponíveis em caixa.

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A maior parte dos vencimentos está concentrada em debêntures. Em maio, vencem R$ 511 milhões da 18ª emissão (primeira série). Em julho, outros R$ 889 milhões da 20ª emissão (segunda série). Somados, R$ 1,4 bilhão precisam ser pagos nos próximos cinco meses.

Há ainda cerca de R$ 254 milhões da 20ª emissão (terceira série), com vencimentos entre 2026 e 2027, além de um empréstimo de aproximadamente R$ 508 milhões, parte também no curto prazo.

O endividamento total gira em torno de R$ 4 bilhões, acima do valor de mercado da companhia, que gira em torno de R$ 1,5 bilhão. O balanço também indica R$ 16 bilhões em contingências tributárias classificadas como perdas possíveis, que não estão provisionadas, além de cerca de R$ 1 bilhão já provisionado como perda provável.

Embora a empresa tenha R$ 1,7 bilhão em ativos fiscais diferidos e aproximadamente R$ 1,8 bilhão em créditos de PIS/Cofins, a realização desses valores depende da geração futura de lucro, o que adiciona incerteza diante do histórico recente de prejuízos.

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Fitch rebaixa nota

Na última terça-feira (3), as ações PCAR3 chegaram a desabar 17% no Ibovespa (IBOV), pressionados pelo rebaixamento da nota de crédito da companhia de ‘A’ para ‘CCC’ pela Fitch. Segundo a agência de classificação de risco, a mudança considera os crescentes riscos de refinanciamento, tendo em vista que a companhia tem R$ 1,7 bilhão em dívidas a serem pagas até julho.

O enfraquecimento da liquidez e a perspectiva de que o fluxo de caixa livre (FCF) permanecerá negativo a médio prazo também fundamentaram o rebaixamento, de acordo com a Fitch.

Em 24 de fevereiro, o GPA divulgou ao mercado seu balanço referente ao quarto trimestre de 2025, que mostrou prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre, 48,2% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, mas acima das estimativas.

O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia ficou em R$ 510 milhões no período, alta de 2,5% sobre um ano antes, segundo o relatório de resultados da companhia.

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Analistas, em média, esperavam prejuízo líquido de R$ 134 milhões nos três meses encerrados em dezembro e Ebitda de R$466 milhões no período, segundo dados da LSEG.

O GPA defendeu os resultados em release e afirmou que os números refletem os primeiros impactos da agenda de eficiência implementada ao longo do ano e reforçam o potencial de melhoria da performance da companhia ao longo de 2026.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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