GPA (PCAR3): Entenda como a empresa chegou ao aperto financeiro e o que a companhia pode fazer
O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) começa 2026 sob forte pressão financeira, com R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo neste ano e depois de ter encerrado 2025 com capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão – o que significa mais obrigações de curto prazo do que recursos disponíveis em caixa.
A maior parte dos vencimentos está concentrada em debêntures. Em maio, vencem R$ 511 milhões da 18ª emissão (primeira série). Em julho, outros R$ 889 milhões da 20ª emissão (segunda série). Somados, R$ 1,4 bilhão precisam ser pagos nos próximos cinco meses.
Há ainda cerca de R$ 254 milhões da 20ª emissão (terceira série), com vencimentos entre 2026 e 2027, além de um empréstimo de aproximadamente R$ 508 milhões, parte também no curto prazo.
O endividamento total gira em torno de R$ 4 bilhões, acima do valor de mercado da companhia, perto de R$ 1,5 bilhão. O balanço também indica R$ 16 bilhões em contingências tributárias classificadas como perdas possíveis, que não estão provisionadas, além de cerca de R$ 1 bilhão já provisionado como perda provável.
Embora a empresa tenha R$ 1,7 bilhão em ativos fiscais diferidos e aproximadamente R$ 1,8 bilhão em créditos de PIS/Cofins, a realização desses valores depende da geração futura de lucro, o que adiciona incerteza diante do histórico recente de prejuízos.
O que o GPA tem feito
O CEO Alexandre Santoro afirmou recentemente que a companhia negocia o alongamento das dívidas com credores.
O plano prevê redução de pelo menos R$ 415 milhões na base de custos e despesas operacionais em 2026, revisão de contratos de serviços e consultorias, além de corte relevante de investimentos.
O capex deve ficar entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões neste ano, quase metade do desembolso anterior, com suspensão de expansão e foco na manutenção das lojas.
A gestão também pretende melhorar a rentabilidade de unidades com desempenho abaixo do potencial, renegociando aluguéis e ajustando o sortimento.
O que diz o mercado
Para parte do mercado, apenas o corte de custos pode não ser suficiente para reequilibrar a estrutura de capital.
Gestores já consideram a possibilidade de aumento de capital pelos controladores, a família Coelho Diniz, movimento que poderia gerar diluição relevante aos acionistas.
Relatório do Safra apontou que o consumo de R$ 786 milhões das reservas financeiras ao longo do último ano evidencia uma estrutura ainda pressionada.
Como o GPA chegou a atual situação
A deterioração operacional dos últimos anos é atribuída à perda de competitividade. O avanço dos atacarejos pressionou margens no segmento de preço, enquanto o público de maior renda migrou para redes especializadas mais eficientes, deixando a companhia em uma posição intermediária difícil de sustentar.
No campo societário, após anos sob controle do grupo francês Casino, que enfrentou elevado endividamento na Europa, ativos relevantes foram vendidos ou segregados.
O GPA ficou com uma operação menos diversificada e mais alavancada.