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GPA (PCAR3): Entenda como a empresa chegou ao aperto financeiro e o que a companhia pode fazer

26 fev 2026, 18:07 - atualizado em 26 fev 2026, 18:07
Pão de Açúcar, BlackRock, Alupar, Mercados, Empresa, Radar do Mercado
(Imagem: Renan Dantas/Money Times)

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) começa 2026 sob forte pressão financeira, com R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo neste ano e depois de ter encerrado 2025 com capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão – o que significa mais obrigações de curto prazo do que recursos disponíveis em caixa.

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A maior parte dos vencimentos está concentrada em debêntures. Em maio, vencem R$ 511 milhões da 18ª emissão (primeira série). Em julho, outros R$ 889 milhões da 20ª emissão (segunda série). Somados, R$ 1,4 bilhão precisam ser pagos nos próximos cinco meses.

Há ainda cerca de R$ 254 milhões da 20ª emissão (terceira série), com vencimentos entre 2026 e 2027, além de um empréstimo de aproximadamente R$ 508 milhões, parte também no curto prazo.

O endividamento total gira em torno de R$ 4 bilhões, acima do valor de mercado da companhia, perto de R$ 1,5 bilhão. O balanço também indica R$ 16 bilhões em contingências tributárias classificadas como perdas possíveis, que não estão provisionadas, além de cerca de R$ 1 bilhão já provisionado como perda provável.

Embora a empresa tenha R$ 1,7 bilhão em ativos fiscais diferidos e aproximadamente R$ 1,8 bilhão em créditos de PIS/Cofins, a realização desses valores depende da geração futura de lucro, o que adiciona incerteza diante do histórico recente de prejuízos.

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O que o GPA tem feito

O CEO Alexandre Santoro afirmou recentemente que a companhia negocia o alongamento das dívidas com credores.

O plano prevê redução de pelo menos R$ 415 milhões na base de custos e despesas operacionais em 2026, revisão de contratos de serviços e consultorias, além de corte relevante de investimentos.

O capex deve ficar entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões neste ano, quase metade do desembolso anterior, com suspensão de expansão e foco na manutenção das lojas.

A gestão também pretende melhorar a rentabilidade de unidades com desempenho abaixo do potencial, renegociando aluguéis e ajustando o sortimento.

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O que diz o mercado

Para parte do mercado, apenas o corte de custos pode não ser suficiente para reequilibrar a estrutura de capital.

Gestores já consideram a possibilidade de aumento de capital pelos controladores, a família Coelho Diniz, movimento que poderia gerar diluição relevante aos acionistas.

Relatório do Safra apontou que o consumo de R$ 786 milhões das reservas financeiras ao longo do último ano evidencia uma estrutura ainda pressionada.

Como o GPA chegou a atual situação

A deterioração operacional dos últimos anos é atribuída à perda de competitividade. O avanço dos atacarejos pressionou margens no segmento de preço, enquanto o público de maior renda migrou para redes especializadas mais eficientes, deixando a companhia em uma posição intermediária difícil de sustentar.

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No campo societário, após anos sob controle do grupo francês Casino, que enfrentou elevado endividamento na Europa, ativos relevantes foram vendidos ou segregados.

O GPA ficou com uma operação menos diversificada e mais alavancada.

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