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GPA (PCAR3) entra em recuperação extrajudicial com cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas para renegociação

10 mar 2026, 9:03 - atualizado em 10 mar 2026, 9:08
pão de açúcar gpa (1)
(Imagem: Wikiacommons)

O GPA (PCAR3), dono da bandeira Pão de Açúcar, entrou com pedido de recuperação extrajudicial para a renegociação de cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas, de acordo com fato relevante divulgado ao mercado nesta terça-feira (10).

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A companhia firmou acordo com seus principais credores, e o plano abrange obrigações de pagamento que não constituem obrigações correntes ou operacionais da companhia. Dessa maneira, estão excluídas as obrigações correntes junto a fornecedores, parceiros e clientes, bem como obrigações trabalhistas, que não devem ser afetadas.

O plano conta com a adesão de 46% dos credores, equivalente a R$ 2,1 bilhões, percentual superior ao quórum mínimo legal de um terço (1/3) dos créditos afetados.

Com efeitos imediatos, o plano prevê a suspensão das obrigações do GPA com os credores afetados. De acordo com a empresa, isso “cria um ambiente seguro e estável para a continuidade das negociações por 90 dias”.

Nesse período, o GPA afirma que espera conseguir o apoio da maioria dos créditos sujeitos ao processo e espera chegar a uma solução estruturada que resolva simultaneamente a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo.

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A varejista de alimentos defende que a decisão representa um passo importante para o objetivo da administração de fortalecer o balanço, melhorar o perfil do endividamento e posicionar o GPA para o futuro, ao mesmo tempo em que preserva o relacionamento com fornecedores e protege sua operação.

“A companhia esclarece que o processo foi estruturado de modo a preservar a operação de suas lojas, que deverão seguir funcionando normalmente. Suas operações são saudáveis, e a companhia está em dia com suas obrigações junto a fornecedores, clientes e parceiros, os quais estão excluídos e não serão afetados pelo processo de recuperação extrajudicial”, diz o GPA.

Pressão financeira

A companhia já vinha lidando com forte pressão financeira relacionadas a vencimentos de curto prazo.  Na última semana, o GPA chegou  a anunciar a contratação de consultores para auxiliar na busca de alternativas para a melhoria do perfil do endividamento.

A companhia soma R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo neste ano, após encerrar 2025 com capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão. Na prática, existem mais obrigações de curto prazo do que recursos disponíveis em caixa.

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A maior parte dos vencimentos está concentrada em debêntures. Em maio, vencem R$ 511 milhões da 18ª emissão (primeira série). Em julho, outros R$ 889 milhões da 20ª emissão (segunda série). Somados, R$ 1,4 bilhão precisam ser pagos nos próximos cinco meses.

Há ainda cerca de R$ 254 milhões da 20ª emissão (terceira série), com vencimentos entre 2026 e 2027, além de um empréstimo de aproximadamente R$ 508 milhões, parte também no curto prazo.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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