GPA (PCAR3): Sob forte pressão financeira e risco de reestruturação, ações caem até 11% nesta terça (3)
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) está passando por maus bocados e o tombo de mais 11% das ações no pregão desta terça-feira (3) reflete o risco elevado de uma eventual reestruturação da varejista de alimentos.
Os papéis são pressionados pelo rebaixamento da nota de crédito da companhia de ‘A’ para ‘CCC’ pela Fitch. Segundo a agência de classificação de risco, a mudança considera os crescentes riscos de refinanciamento, tendo em vista que a companhia tem R$ 1,7 bilhão em dívidas a serem pagas até julho.
O enfraquecimento da liquidez e a perspectiva de que o fluxo de caixa livre (FCF) permanecerá negativo a médio prazo também fundamentaram o rebaixamento, de acordo com a Fitch.
Por volta de 12h (horário de Brasília), as ações PCAR3 desabavam 11,11%, marcando a mínima do dia, a R$ 2,80. Acompanhe o tempo real.
O Pão de Açúcar também entrou com um pedido para bloquear as ações que pertencem ao acionista Casino Guichard-Perrachon e eventuais valores obtidos com a venda desses papéis. A medida visa proteger seus direitos e garantias enquanto a disputa está em andamento.
A solicitação ocorreu dentro do processo de arbitragem aberto em 6 de maio de 2025, que tinha como objetivo de preservar direitos em processos de cobrança de diferenças no recolhimento de IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) nos anos de 2007 e 2013, devido a alegação de dedução indevida de amortizações de ágio.
Somado aos fatores específicos da companhia, o cenário de forte aversão a risco nos mercados em meio as tensões geopolíticas. A tramitação do projeto de lei que permite a venda de medicamentos em supermercados na Câmara dos Deputados também entra no radar.
O que está acontecendo com o GPA?
Duas palavras sintetizam o início de 2026 do Pão de Açúcar: pressão financeira. A companhia soma R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo neste ano, após encerrar 2025 com capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão. Na prática, existem mais obrigações de curto prazo do que recursos disponíveis em caixa.
A maior parte dos vencimentos está concentrada em debêntures. Em maio, vencem R$ 511 milhões da 18ª emissão (primeira série). Em julho, outros R$ 889 milhões da 20ª emissão (segunda série). Somados, R$ 1,4 bilhão precisam ser pagos nos próximos cinco meses.
Há ainda cerca de R$ 254 milhões da 20ª emissão (terceira série), com vencimentos entre 2026 e 2027, além de um empréstimo de aproximadamente R$ 508 milhões, parte também no curto prazo.
O endividamento total gira em torno de R$ 4 bilhões, acima do valor de mercado da companhia, que gira em torno de R$ 1,5 bilhão. O balanço também indica R$ 16 bilhões em contingências tributárias classificadas como perdas possíveis, que não estão provisionadas, além de cerca de R$ 1 bilhão já provisionado como perda provável.
Embora a empresa tenha R$ 1,7 bilhão em ativos fiscais diferidos e aproximadamente R$ 1,8 bilhão em créditos de PIS/Cofins, a realização desses valores depende da geração futura de lucro, o que adiciona incerteza diante do histórico recente de prejuízos.
4T25 da varejista
Em 24 de fevereiro, o GPA divulgou ao mercado seu balanço referente ao quarto trimestre de 2025, que mostrou prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre, 48,2% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, mas acima das estimativas.
O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia ficou em R$ 510 milhões no período, alta de 2,5% sobre um ano antes, segundo o relatório de resultados da companhia.
Analistas, em média, esperavam prejuízo líquido de R$ 134 milhões nos três meses encerrados em dezembro e Ebitda de R$466 milhões no período, segundo dados da LSEG.
O GPA defendeu os resultados em release e afirmou que os números refletem os primeiros impactos da agenda de eficiência implementada ao longo do ano e reforçam o potencial de melhoria da performance da Companhia ao longo de 2026.
“Nossa atuação está concentrada em três frentes claras: geração de caixa operacional, disciplina financeira e aprimoramento da experiência do cliente. Nessa agenda, mantemos uma atuação próxima e construtiva com nossos fornecedores, parceiros fundamentais para a entrega da nossa proposta de valor”, acrescentou a empresa.
*Com informações do Seu Dinheiro