Guerra EUA-Irã: Mercados mantêm expectativa de trégua rápida
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta terça-feira (10) que não permitirá a saída de petróleo do Oriente Médio enquanto os ataques dos EUA e de Israel continuarem, provocando a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de atingir o país “vinte vezes mais forte” caso o Irã bloqueie as exportações.
Apesar da retórica agressiva de ambos os lados, investidores apostavam na terça-feira que Trump encerraria o conflito em breve, antes que a interrupção sem precedentes no fornecimento de energia provoque um colapso econômico global.
Após Trump descrever a guerra na segunda-feira (9) como adiantada, grande parte da alta histórica nos preços do petróleo registrada no dia foi revertida. As bolsas asiáticas e europeias também apresentaram recuperação na terça-feira, depois das quedas acentuadas anteriores.
O Irã rejeitou a exigência de Trump de permitir que os EUA escolhessem sua nova liderança, nomeando o clérigo linha-dura Mojtaba Khamenei como novo líder supremo para substituir seu pai, morto no primeiro dia do conflito.
Em coletiva na segunda-feira, Trump buscou tranquilizar os mercados, sugerindo que a guerra seria encerrada antes de provocar uma crise econômica semelhante aos choques do petróleo no Oriente Médio na década de 1970. Ele afirmou que os EUA já haviam infligido sérios danos e previu que o conflito terminaria antes das quatro semanas inicialmente estipuladas.
Trump não detalhou como seria definida a vitória, mas não repetiu declarações anteriores exigindo que o Irã aceitasse uma “rendição incondicional” e permitisse que ele escolhesse o líder do país.
Interrupção sem precedentes
A guerra praticamente paralisou os embarques pelo Estreito de Ormuz, por onde passa normalmente cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito global, uma interrupção sem precedentes na história recente do comércio de energia. Com o bloqueio, os produtores ficaram sem capacidade de armazenamento no Golfo e foram forçados a interromper a produção.
Após a nomeação do novo líder linha-dura no Irã, os preços do petróleo subiram brevemente para quase US$ 120 por barril na segunda-feira — um ganho diário recorde. Por volta das 6h30 de terça-feira (horário de Brasília), o petróleo Brent caiu para US$ 90,67, indicando que os operadores esperam que a interrupção seja temporária.
Trump afirmou na segunda-feira à noite que o poderio militar dos EUA é suficiente para manter o fluxo de petróleo. Ele declarou que, caso o Irã bloqueie o Estreito, “nós os atingiremos com tanta força que não será possível para eles ou qualquer aliado recuperar essa parte do mundo”.
Um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã rejeitou os comentários de Trump, afirmando que Teerã não permitiria que “um litro” de petróleo chegasse aos EUA ou a seus aliados enquanto os ataques norte-americanos e israelenses continuarem.
“Somos nós que determinaremos o fim da guerra”, disse o porta-voz.
Posteriormente, em postagem no Truth Social, Trump reforçou seu alerta: “Se o Irã fizer qualquer coisa que impeça o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, eles serão atacados pelos Estados Unidos da América VINTE VEZES MAIS DURAMENTE do que foram até agora”.