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Guerra pode afetar de 30% a 40% da exportação de carne bovina, avalia Abiec

04 mar 2026, 10:26 - atualizado em 04 mar 2026, 10:29
carne bovina boi
(Imagem: Shutterstock/ASA studio)

A escalada do conflito no Oriente Médio acendeu um sinal de alerta no setor de carne bovina. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que de 30% a 40% das exportações brasileiras do produto passam, de alguma forma, pela região, o que amplia de forma significativa o risco para a cadeia produtiva.

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Embora cerca de 10% das exportações tenham como destino final o Oriente Médio, o impacto indireto é bem maior, de acordo com Perosa. “Entre 30% e 40% de toda a exportação brasileira de carne passa pelo Oriente Médio, de alguma maneira”, disse. Segundo ele, isso ocorre porque parte das cargas faz escala na região ou depende de empresas sediadas localmente para seguir ao Sudeste Asiático e outros mercados.

De acordo com o presidente da Abiec, os novos embarques estão paralisados. “Não estão tendo bookings. Não tem contêiner disponível pra mandar para a região”, afirmou. Nos poucos casos em que há oferta, as companhias marítimas estão cobrando adicional de até US$ 4 mil por contêiner, uma “taxa de guerra”, o que, segundo ele, “torna inviável enviar esse tipo de mercadoria para lá”.

Caso o impasse se prolongue, o impacto pode ser expressivo. “Se resolver em uma semana, o impacto é diminuto. Se demorar cinco semanas, pode ter o impacto sobre 30% do que a gente exporta no mês”, afirmou. O Brasil tem embarcado entre 200 mil e 250 mil toneladas mensais de carne bovina.

Perosa alertou que a interrupção do fluxo comercial pode provocar um efeito em cadeia. “Se a gente não tem escoamento da venda, o que nós vamos fazer com a carne? Não tem o que fazer. Os mercados estão saturados”, disse. Segundo ele, a redução da demanda externa pode levar à diminuição de abates. “Começa a criar um efeito sistêmico no setor que é muito prejudicial”, afirmou.

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Diante do quadro, a Abiec pretende levar formalmente a preocupação ao governo federal. “O que a gente está pedindo é para o governo olhar para um setor que está sendo muito impactado”, afirmou Perosa. Ele defendeu tanto atuação diplomática quanto apoio econômico, caso a crise se prolongue.

Se não houver solução rápida, a entidade avalia a necessidade de medidas de suporte financeiro. “Apoio com crédito é sempre importante para passar por esses momentos turbulentos, para não haver desestruturação da cadeia”, afirmou.

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