Há esperanças para Pão de Açúcar (PCAR3)? Analistas apontam eficiência e plano de cortes, mas fluxo de caixa pesa
O mercado segue atento ao Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) diante de sinais de pressão sobre seu fluxo de caixa e estrutura de capital, após a companhia registrar prejuízo líquido de R$ 523 milhões no quarto trimestre de 2025.
Para Vitor Pini, do Safra, os R$ 786 milhões consumidos das reservas financeiras ao longo do ano, sem considerar os R$ 93 milhões provenientes de aumento de capital e venda de ativos, evidenciam uma estrutura de capital ainda desequilibrada. “Essa continua sendo nossa principal preocupação em relação ao caso”, afirmou em relatório.
Apesar da queda de 2% na receita líquida consolidada, as vendas mesmas lojas (SSS) avançaram 3% no trimestre.
Segundo Danniela Eiger, da XP, o desempenho foi “tímido”, pressionado pela demanda e pela inflação contida de alimentos — que subiu 2,95% em 2025, contra 7,69% em 2024, segundo o IBGE.
A analista ressalta que a capacidade da companhia de manter suas operações ainda apresenta riscos.
No pregão de quarta-feira (25), as ações do PCAR3 recuaram 2,24%, cotadas a R$ 3,06, liderando as baixas do Ibovespa.
EBITDA ajustado indica eficiência, mas despesas pressionam resultados
Apesar do resultado líquido negativo, o EBITDA ajustado registrou R$ 510 milhões positivos, crescimento de 2,5% em relação ao mesmo período de 2024, de acordo com Vinicius Strano, do UBS.
O indicador exclui itens não recorrentes, como multas e vendas de ativos, refletindo os avanços da reestruturação administrativa.
Ainda assim, outras despesas somaram R$ 618 milhões, levando ao prejuízo líquido do período.
A administração também atualizou o plano de eficiência para 2026, com meta de reduzir despesas operacionais em pelo menos R$ 415 milhões.
Segundo Rodrigo Gastim, do Itaú BBA, mais de 80% desse valor já foi mapeado e validado, e a expectativa é que as economias comecem a ser percebidas já no primeiro trimestre de 2026.