Haddad sobre Banco Master: “Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país”
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (13) que a liquidação do Banco Master pelo Banco Central foi conduzida de forma robusta e exige cautela máxima, diante do risco de se tratar da maior fraude bancária da história do país.
“O caso inspira muito cuidado, nós podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país,. Temos que tomar todas as cautelas devidas com as formalidades”, afirmou Haddad, ao defender a atuação da autarquia.
Segundo ele, o tema é sensível também porque os bancos públicos Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil (BBAS3) respondem por cerca de um terço da capitalização do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que será utilizado para ressarcir os clientes do Master.
Após o arrefecimento dos impasses entre o Banco Central e o Tribunal de Contas da União (TCU), selado em reunião realizada ontem, o ministro avaliou que houve uma convergência institucional sobre a forma de condução do caso. Para ele, o alinhamento entre os órgãos deve permitir o avanço adequado das apurações.
“O entendimento agora é comum, e as coisas vão caminhar para o lado certo”, disse.
Déficit brasileiro
Na mesma entrevista, o ministro disse que o governo central encerrou 2025 com um déficit primário estimado em 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), cumprindo a meta de déficit zero estabelecida para o ano, que admite margem de tolerância de até 0,25% do PIB.
O resultado, segundo Haddad, desconsidera despesas que ficaram fora da contabilidade fiscal após autorização judicial. Caso sejam incluídos gastos com precatórios e indenizações a aposentados, o déficit deve alcançar 0,48% do PIB.
“Nós estamos em uma trajetória de melhoria dos resultados primários a cada ano, como está sendo demonstrado”, disse.
Os dados oficiais do resultado fiscal de 2025 serão divulgados pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central apenas no fim de janeiro.
Após o Tesouro prever nesta semana uma piora relevante na trajetória da dívida pública, Haddad afirmou que o principal fator de pressão sobre o indicador tem sido o nível elevado dos juros no país, e não os resultados primários.
Na primeira entrevista após retornar das férias, o ministro também disse que conversará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “quando ele quiser” sobre sua eventual saída do comando da Fazenda. No fim do ano passado, Haddad estimou que poderia deixar o cargo até fevereiro.
*Com Reuters