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Hapvida (HAPV3) derrete 14% na abertura com 4T25 fraco, mas inverte sinal e lidera ganhos do Ibovespa

19 mar 2026, 12:49 - atualizado em 19 mar 2026, 13:00
Hapvida HAPV3 Ações
(Imagem: iStock.com/Sergii Chervov | Montagem: Anna Zeferino)

As ações da operadora de saúde Hapvida (HAPV3) despencaram 14,74%, a R$ 7, na abertura do Bolsa de Valores, liderando as perdas do Ibovepa após o resultado do quarto trimestre de 2025 (4T25) avaliado como negativo pelo mercado com os números de margens e fluxo de caixa pressionados.

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No período, a Hapvida registrou lucro líquido ajustado de R$ 180,6 milhões, uma queda de 64,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. No consolidado de 2025, o lucro líquido ajustado soma R$ 1,234 bilhão, um recuo de 32,3% ante 2024.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado totaliza R$ 713,8 milhões, uma queda de 32,8%. No consolidado do ano, o Ebitda ajustado soma R$ 3,369 bilhões, uma baixa de 10,9%.

A avaliação de que o trimestre da Hapvida foi fraco é consenso entre os analistas, que atentam ainda para as incertezas de melhora operacional da companhia no curto prazo e para a possibilidade de números mais baixos à frente.



Ao longo da manhã, porém, a ação moderou a queda e virou após leilões. Por volta das 12h25 (horário de Brasília), a HAPV3 subia 7,92%, a R$ 8,86. Com isso, a Hapvida passou a liderar os ganhos do Ibovespa.

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Há espaço para revisões negativas de lucro da Hapvida

O Banco Safra destaca que os números fracos da Hapvida no 4T25 já eram esperados diante do contexto de maior utilização e do ramp-up da rede expandida.

“No entanto, a magnitude da pressão recorrente sobre margens foi relevante, com fortes perdas de beneficiários e aumento da alavancagem adicionando desafios à tese de investimento”, pondera o banco.

Para o Safra, o trimestre reforça a narrativa de que os desafios da Hapvida têm componentes tanto transitórios utilização, inverno prolongado quanto estruturais ramp-up custoso da rede própria, concorrência na Região Sudeste.

Apesar disso, a administração posicionou 2026 como um ano de execução e recuperação gradual, sem prometer uma virada imediata, observa o analista do Safra Ricardo Boiati.

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O Safra mantém a recomendação neutra para HAPV3 e reforça enxergar espaço para novas revisões baixistas de lucro. O preço-alvo para o papel é de R$ 22,50, com potencial de valorização de 174% em relação ao valor do fechamento anterior.

Incertezas quanto à melhora da Hapvida no curto prazo

O Bradesco BBI considera que a deterioração da sinistralidade (MLR) em 0,3 ponto porcentual, a perda relevante de beneficiários no 4T25, de 140 mil vidas, e o consumo de caixa reforçam um trimestre operacionalmente fraco para a Hapvida.

A piora nos números, segundo o BBI, esteve atrelada à defasagem entre uso e faturamento da rede credenciada, ramp-up da rede própria, redução sazonal tardia de volumes, expansão deliberada da rede assistencial e maior demanda no inverno mais seco do Sul e Sudeste.

Além disso, a instituição observa que as despesas gerais e administrativas ajustadas da Hapvida subiram, impulsionadas por contingências, assim como as despesas comerciais, com maiores gastos em comissões e marketing.

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“A dinâmica de crescimento moderado de receita, combinada com a perda líquida de vidas e maior pressão sobre custos, aumenta a incerteza sobre melhora no curto prazo”, avaliam os analistas do BBI Marcio Osako e Larissa Monte.

Os analistas complementam seguir com postura cautelosa para Hapvida diante da visibilidade limitada sobre recuperação de margens, estabilização de base de beneficiários e conversão de caixa.

Para 2026, o BBI estima margem Ebitda de 9,5%, com cada 1 ponto porcentual abaixo desse nível tendo impacto negativo de aproximadamente R$ 40 milhões no lucro projetado de R$ 550 milhões.

Desafios contínuos no campo da rentabilidade de HAPV3

Para o Itaú BBA, o 4T25 foi um encerramento de ano difícil para a empresa, com os principais indicadores de desempenho da empresa indicando uma dinâmica operacional desfavorável.

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“Apesar de nossas premissas já conservadoras, os resultados reportados do 4T25 vieram mais fracos do que o esperado. Destacamos a continuidade do churn (perda de beneficiários), bem como a pressão sobre a sinistralidade de caixa e o fluxo de caixa”, destaca o banco de investimentos.

De modo geral, os resultados ficaram abaixo das expectativas e sugerem desafios contínuos no campo da rentabilidade, o que pode gerar uma reação negativa do mercado.

O BBA mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 15, um potencial de valorização de 82% do papel em relação ao fechamento anterior.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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