Hapvida (HAPV3): JP Morgan avalia que ativos do Sul pressionam resultados e potencial venda reduz ‘distrações’ da gestão
Para o JP Morgan, um conjunto de ventos “favoráveis” impulsionou as ações da Hapvida (HAPV3) nesta quarta-feira (8). Os papéis fecharam com alta de 9,06%, a R$ 11,19, após subirem mais de 17% durante o pregão.
A disparada refletiu, na visão dos analistas, o potencial destravamento de valor com a venda de ativos não essenciais e de baixo desempenho, ao mesmo tempo em que a companhia reforça o compromisso de longo prazo da família Pinheiro com os negócios e a consciência sobre as pressões operacionais em curso.
A Hapvida estuda vender a operação da companhia na região Sul do Brasil, segundo o portal Pipeline, do Valor Econômico.
O processo de desinvestimento, de acordo com a reportagem, inclui ativos como a Clinipam e o Centro Clínico Gaúcho, além de três hospitais construídos pela própria empresa, totalizando oito hospitais, 21 clínicas e cerca de 490 mil beneficiários.
Além disso, a operadora informou que a família controladora aumentou sua participação para 51,4%, excluindo as ações em tesouraria.
Os analistas do JP Morgan consideram que alguns investidores podem argumentar que o “controle total” pela família limita o espaço para a influência positiva de outros acionistas na melhoria da governança e da execução.
O banco mantém recomendação neutra para HAPV3.
Sul pesa pouco na receita, mas muito na sinistralidade
A equipe de analistas avalia que as potenciais vendas de ativos são positivas, pois destravam valor e, principalmente, reduzem a pressão sobre os resultados e as “distrações” da gestão em relação ao turnaround principal, concentrado em São Paulo.
Nos cálculos do banco, a Clinipam registrou índice de sinistralidade (MLR) de 85%, enquanto o Centro Clínico Gaúcho atingiu 95,8% em 2025, com base em dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Isso sugere que uma parte relevante da pressão no MLR consolidado da companhia — de 78% no último ano — vem das operações do Sul, embora esses ativos representem apenas cerca de 5% das receitas.
Com a eventual venda, o JP Morgan estima uma melhora de aproximadamente 50 pontos-base no MLR em 2025.
“De forma semelhante, o índice combinado poderia melhorar em cerca de 50 pontos-base, embora os efeitos contábeis dos hospitais ainda não estejam claros”, escreveram os analistas em relatório.
Por outro lado, o valor potencial desses ativos deve ser “materialmente menor do que o pago”. Um dos motivos é o valuation atual da Hapvida.
A Clinipam e o Centro Clínico Gaúcho foram adquiridos pela Intermédica entre 2019 e 2021 por cerca de R$ 4 bilhões — o que se compara ao múltiplo atual de aproximadamente 5x EV/Ebitda projetado para 2026, no qual HAPV3 negocia hoje, segundo o banco.
A relevância estratégica limitada desses ativos para a maioria dos operadores nacionais, somada ao desempenho fraco e em deterioração nos últimos anos, também contribui para uma precificação “mais baixa” em um eventual desinvestimento, na avaliação do JP Morgan.
O banco destaca ainda que os ativos têm relevância limitada para os resultados da companhia, representando cerca de 5% das receitas consolidadas.